Não, se a pergunta é se qualquer crença ou maneira de viver pode nos reconciliar com Deus. Segundo o Novo Testamento, essa reconciliação acontece por meio de Jesus Cristo. Isso não quer dizer que Deus esteja distante das pessoas que ainda não o conhecem. Quer dizer que não conseguimos resolver, por conta própria, o problema que nos separa dele.
Esse problema é o pecado. Não se trata apenas de algumas atitudes erradas: todos nós falhamos diante de Deus e precisamos do seu perdão (Romanos 3:23). Por isso, ser sincero naquilo em que se acredita não basta, assim como tentar fazer o bem não apaga o mal que já fizemos. A sinceridade e as boas ações têm valor, mas não podem nos salvar.
É nesse ponto que a afirmação de Jesus faz diferença. Em João 14:6, ele diz aos discípulos que é por meio dele que se chega ao Pai. Jesus não estava apenas ensinando um jeito melhor de viver. Ele veio fazer por nós o que não poderíamos fazer: morreu pelos nossos pecados e ressuscitou (1 Coríntios 15:3-4). Por isso, quando os apóstolos anunciaram sua mensagem, disseram que a salvação não se encontra em outra pessoa (Atos 4:12).
Talvez surja uma dúvida: se há um só caminho, será que Deus só recebe pessoas de determinada cultura, igreja ou passado? Não. Jesus não é apresentado como o Salvador de um grupo privilegiado. João 3:16 ensina que Deus amou o mundo e deu seu Filho para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. O convite é amplo; a salvação é oferecida a todos. O que o Novo Testamento não diz é que todos os caminhos levam ao mesmo resultado.
A conversa de Jesus com Nicodemos ajuda a entender isso. Nicodemos era um líder religioso que conhecia bem as Escrituras. Mesmo assim, Jesus lhe disse que precisava nascer de novo (João 3:1-3). Em outras palavras, nem o conhecimento religioso nem uma vida respeitada substituem a transformação que Deus faz numa pessoa. Nossa resposta é nos arrepender — reconhecer nosso pecado e nos voltar pra Deus — e confiar em Jesus (Atos 17:30; João 3:16).
Crer que Jesus é o único caminho não dá a ninguém o direito de desprezar quem pensa diferente. Pelo contrário: quem sabe que depende da graça de Deus não tem motivo pra se achar melhor que os outros. Pode ouvir, respeitar e tratar cada pessoa com amor, sem esconder o que crê.
Então, a resposta é esta: não são todos os caminhos que levam a Deus; é Jesus quem nos reconcilia com ele. E esse caminho não está reservado a quem já tem uma vida religiosa exemplar. O convite é pra qualquer pessoa que queira se voltar pra Deus e confiar em Cristo.