Paulo está dizendo que o mundo criado por Deus ainda não é como deveria ser. Há sofrimento, morte e desgaste. Mas ele não fala disso como se fosse o fim da história: em Romanos 8:22, compara o gemido da criação às dores de parto. São dores reais, mas ligadas à espera de algo novo.
Pra entender a comparação, vale olhar os versículos ao redor. Paulo diz que a criação foi sujeita à frustração e aguarda o dia em que será libertada da corrupção, junto com a manifestação da glória dos filhos de Deus (Romanos 8:19-21). A ideia é que o pecado humano trouxe consequências que não ficaram limitadas aos seres humanos. Em Gênesis 3:17-19, por exemplo, Deus diz a Adão que o solo produziria espinhos e que cultivar a terra passaria a exigir trabalho penoso.
Isso não significa que árvores, animais ou a terra tenham cometido pecados. Ao dizer que a criação “geme” e “aguarda”, Paulo usa uma imagem pra falar da condição do mundo: ele sofre os efeitos daquilo que deu errado com a humanidade e ainda espera a libertação que Deus prometeu.
Logo depois, Paulo acrescenta que nós também gememos (Romanos 8:23). Mesmo quem recebeu o Espírito de Deus ainda sente dor, envelhece e morre. Por isso, os cristãos aguardam a redenção do corpo: não apenas o fim do sofrimento, mas a vida plenamente restaurada por Deus. O Espírito já está presente neles, mas essa restauração ainda não chegou por completo.
É por isso que a imagem das dores de parto importa tanto. Paulo não está dizendo que o sofrimento é pequeno ou fácil de suportar. Ele está dizendo que o sofrimento presente não terá a última palavra. A esperança cristã inclui a ressurreição do corpo e um mundo renovado, onde não haverá mais morte nem dor (Romanos 8:23; Apocalipse 21:1-4).
Assim, “toda a criação geme” quer dizer que o mundo inteiro vive hoje sob os efeitos do pecado e da morte. E, como nas dores de parto, esse gemido vem acompanhado de esperança: Deus ainda vai completar a libertação que prometeu.