Em Romanos 13:1, Paulo está falando principalmente das autoridades do governo. Quando diz que toda autoridade vem de Deus, ele não quer dizer que cada governante é bom, nem que Deus aprova tudo o que um governo faz. O ponto é que Deus permite que existam governos e lhes dá uma responsabilidade: cuidar da ordem pública, proteger as pessoas e punir o mal (Romanos 13:3-4).
Por isso, o cristão não deve tratar as leis como se não tivessem importância. Paulo menciona atitudes bem concretas: pagar impostos e dar às autoridades o respeito que lhes é devido (Romanos 13:6-7). Pedro ensina algo parecido: por causa do Senhor, os cristãos devem respeitar as autoridades e praticar o bem (1 Pedro 2:13-17). Obedecer às leis justas não depende de gostar ou não de quem está no poder.
Mas há uma distinção importante: receber autoridade não é receber permissão pra fazer qualquer coisa. Um governante pode usar mal o poder que tem. A própria Bíblia mostra reis que agiram injustamente e foram responsabilizados por Deus. Assim, respeitar uma autoridade não exige concordar com seus erros.
Também existe um limite pra obediência. Quando uma ordem humana exige que a pessoa desobedeça a Deus, a fidelidade a Deus vem primeiro. Foi o que aconteceu quando as parteiras hebreias se recusaram a cumprir a ordem do faraó de matar crianças (Êxodo 1:15-21). Mais tarde, os apóstolos continuaram anunciando Jesus mesmo depois de receberem uma ordem pra parar (Atos 5:27-29).
Então, Romanos 13:1 ensina duas coisas que precisam ficar juntas: devemos respeitar e obedecer às autoridades no que lhes cabe, mas nenhuma autoridade humana está acima de Deus. O cristão não usa a fé como desculpa pra desprezar as leis; ao mesmo tempo, não usa esse versículo como desculpa pra obedecer a uma ordem contrária à vontade de Deus.