A Bíblia fala do amor entre marido e mulher, do carinho pela família, da amizade e do amor que nos leva a cuidar até de quem não pode nos oferecer nada em troca. Às vezes, esses tipos de amor são explicados por meio de quatro palavras gregas: *eros*, *storgē*, *philia* e *agapē*. Essa divisão ajuda a entender o assunto, mas precisa de um cuidado: a Bíblia não apresenta essas quatro palavras como uma lista oficial de quatro tipos de amor. Além disso, uma palavra sozinha nem sempre diz tudo sobre o amor de que a passagem está falando.
O amor romântico e conjugal costuma ser associado à palavra *eros*. Ela não aparece no Novo Testamento, mas o amor entre marido e mulher aparece claramente na Bíblia. O livro de Cântico dos Cânticos celebra a atração e a alegria entre os dois. E o Novo Testamento ensina que marido e mulher devem cuidar um do outro com amor e fidelidade (Efésios 5:25, 28-33). Portanto, a ausência da palavra *eros* não significa que esse amor seja ignorado ou condenado pela Bíblia.
O carinho pela família costuma ser chamado de *storgē*: a afeição entre pais e filhos, por exemplo. Essa palavra, sozinha, não aparece no Novo Testamento, mas aparecem palavras relacionadas a ela. Romanos 12:10 usa uma palavra composta para pedir aos cristãos que tenham uns pelos outros um carinho parecido com o de uma família. Já Romanos 1:31 e 2 Timóteo 3:3 mencionam a falta de afeição natural. A ideia é fácil de entender: Deus se importa com os laços de cuidado que unem as pessoas.
O amor de amizade está ligado a *philia* e a palavras da mesma família. É a afeição que se desenvolve entre amigos, com proximidade, lealdade e alegria na companhia um do outro. A amizade de Jesus com Lázaro ajuda a ver isso de forma concreta: quando Jesus chorou diante da morte dele, as pessoas perceberam o quanto o amava (João 11:33-36).
Agapē é uma das palavras mais usadas no Novo Testamento para falar de amor. Ela aparece em passagens sobre o amor de Deus e sobre o amor que os cristãos devem demonstrar. Mas aqui está um ponto importante: *agapē* não significa, por si só, “amor divino e perfeito”. Em Lucas 6:32, Jesus usa o verbo da mesma família ao dizer que até pessoas que não seguem a Deus amam quem as ama. É a situação descrita na passagem que mostra como esse amor é demonstrado.
Então, o que torna tão especial o amor que Jesus ensina? Não é uma palavra grega secreta. É o que Deus faz e o que ele nos chama a fazer. Deus mostrou seu amor ao enviar Jesus (João 3:16). Jesus entregou a vida por nós, e isso nos ensina a cuidar dos outros de maneira concreta (1 João 3:16-18). Em 1 Coríntios 13, Paulo explica como esse amor se comporta: ele é paciente, bondoso e não procura apenas os próprios interesses.
Em resumo, essas quatro palavras podem ajudar a conversar sobre diferentes formas de amor, mas não devem ser usadas como caixas rígidas. Pra entender uma passagem, o melhor é olhar quem está amando, a quem ama e como esse amor é demonstrado. É assim que a Bíblia nos mostra tanto a riqueza dos relacionamentos humanos quanto o amor de Deus, que se tornou visível em Jesus.