Quando alguém fala em Texto Majoritário, está falando de uma forma de estabelecer o texto grego do Novo Testamento: em cada trecho onde os manuscritos apresentam palavras diferentes, observa-se qual redação aparece na maioria das cópias gregas conhecidas. Essa redação recebe preferência.
Isso é necessário porque os livros do Novo Testamento foram copiados à mão durante muitos séculos. Os manuscritos concordam amplamente, mas há diferenças entre eles. Às vezes, muda apenas a grafia de uma palavra; em outros casos, uma frase aparece em alguns manuscritos e não em outros. Comparar essas cópias ajuda a descobrir, com a maior precisão possível, o que os autores escreveram.
Há uma distinção que costuma causar confusão. Texto bizantino é o nome dado a uma tradição de manuscritos gregos que se tornou muito difundida. Texto Majoritário também pode ser o nome de uma edição do Novo Testamento grego que dá preferência às leituras encontradas na maioria dos manuscritos. Os dois estão muito próximos, porque grande parte dos manuscritos gregos preservados pertence à tradição bizantina. Mas os termos não significam exatamente a mesma coisa, nem basta dizer que todo manuscrito bizantino concorda em cada palavra.
A principal questão é se a leitura encontrada em mais cópias deve ser sempre considerada a original. A quantidade importa, mas não resolve tudo. Imagine que uma cópia antiga contenha uma alteração e dela sejam feitas centenas de novas cópias. Essa alteração passará a aparecer em centenas de manuscritos, embora tenha surgido numa única cópia. Por isso, os estudiosos também examinam a idade dos manuscritos, sua relação entre si e qual das redações ajuda a explicar o surgimento das outras. Um manuscrito mais antigo é uma evidência valiosa, mas também não está automaticamente certo só por ser antigo.
Outro nome que aparece nessa conversa é Textus Receptus. Ele foi preparado a partir de um número limitado de manuscritos gregos disponíveis aos editores dos séculos XVI e XVII. Por isso, se parece bastante com a tradição bizantina, mas não é idêntico ao Texto Majoritário. Algumas traduções tradicionais em português seguem o Textus Receptus; muitas traduções mais recentes usam edições gregas que avaliam diferentes tipos de evidência, sem decidir apenas pela contagem de manuscritos.
Essas diferenças não precisam assustar quem lê a Bíblia. Os manuscritos nos permitem conhecer o texto do Novo Testamento com grande confiança, e as questões discutidas não deixam os ensinamentos centrais da fé cristã dependentes de uma passagem duvidosa. Ao mesmo tempo, vale a pena estudar as diferenças com cuidado: se cremos que as Escrituras são inspiradas por Deus, como ensina 2 Timóteo 3:16, queremos traduzir seu texto da forma mais fiel possível.
Em resumo, o Texto Majoritário dá grande peso à redação preservada pelo maior número de manuscritos gregos. Essa é uma evidência importante, mas a pergunta “o que o autor escreveu?” exige olhar também para a história dessas cópias, e não apenas contar quantas sobreviveram.