A chave é conversar sobre Jesus com respeito, abrir a Bíblia juntos e ouvir o que seu amigo realmente crê. Não é preciso começar atacando a Igreja Católica. É melhor começar pelo que está no centro da pergunta: como uma pessoa recebe a vida que Jesus oferece?
Católicos não são todos iguais. Alguns conhecem bem a Bíblia e procuram seguir a Cristo; outros conhecem pouco os ensinamentos da própria igreja. Por isso, não presuma que seu amigo pensa de determinada maneira. Pergunte, por exemplo: “O que você entende que Jesus fez por nós?” ou “O que significa, pra você, confiar nele?” Escute a resposta antes de explicar a sua.
Um bom caminho é ler juntos passagens como João 3:1-17. Ali, Jesus diz a Nicodemos, um homem religioso, que ele precisava nascer de novo. Jesus não estava dizendo que Nicodemos precisava simplesmente se esforçar mais. Ele falava de uma vida nova que vem de Deus, pela ação do Espírito. Isso ajuda a levar a conversa além da pergunta “Qual igreja está certa?” e chegar a uma pergunta mais pessoal: “Estou confiando em Jesus para me salvar?”
Efésios 2:8-10 também ajuda. Paulo ensina que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, e não porque conseguimos merecer a salvação com nossas obras. Ao mesmo tempo, ele diz que fomos criados em Cristo para praticar boas obras. Ou seja, as boas obras são fruto da vida com Cristo, não o preço que pagamos pra recebê-la.
É importante ser justo ao falar disso. A Igreja Católica também ensina que a salvação depende da graça de Deus; seria incorreto dizer que os católicos acreditam simplesmente em “comprar” a salvação com boas ações. Existem, porém, diferenças reais entre católicos e evangélicos sobre a fé, os sacramentos, a autoridade da igreja e o modo de entender a salvação. Se uma dessas questões surgir, procure explicar o que você entende que a Bíblia ensina, sem atribuir ao seu amigo uma crença que ele não expressou.
Você pode, por exemplo, explicar por que confia que Jesus é suficiente pra nos aproximar de Deus. Hebreus 4:14-16 apresenta Jesus como aquele por meio de quem podemos nos achegar a Deus com confiança. E 1 Timóteo 2:5 o chama de mediador entre Deus e os seres humanos. Se seu amigo perguntar sobre a intercessão de Maria ou dos santos, essas passagens podem ajudar vocês a examinar a questão com calma. Não é necessário transformar a conversa numa disputa sobre tudo de uma vez.
Também vale lembrar que “nascer de novo” não é uma expressão estranha à fé católica: católicos costumam relacioná-la ao batismo. Assim, em vez de perguntar apenas “Você já nasceu de novo?”, pode ser mais claro perguntar: “Como você entende a nova vida de que Jesus fala? Como confia nele hoje?”
Pedro orienta os cristãos a estarem preparados pra explicar sua esperança, mas a fazer isso com mansidão e respeito (1 Pedro 3:15). Isso muda o jeito de conversar. Ore pelo seu amigo, conheça bem as passagens que deseja compartilhar e não tenha pressa de vencer uma discussão. Você pode falar com clareza sobre Cristo e, ao mesmo tempo, dar espaço pra perguntas sinceras.
No fim, testemunhar a um católico não exige uma técnica especial. Exige a mesma fidelidade que qualquer conversa sobre o evangelho pede: apresentar Jesus e sua graça com clareza, tratar a pessoa com amor e deixar que ela examine as Escrituras por si mesma.