Você já leva a Bíblia a sério e procura servir a Deus. Por isso, a pergunta não é se você precisa começar a se interessar por Jesus. A questão é outra: quem Jesus realmente é e como podemos ser salvos por meio dele? Nesses pontos, o ensino das Testemunhas de Jeová e a fé cristã evangélica chegam a conclusões diferentes. Vale a pena examinar essas diferenças diretamente nas Escrituras, sem pedir que você aceite a palavra de uma organização, de uma igreja ou deste artigo no lugar da Bíblia.
Comecemos por Jesus. As Testemunhas de Jeová ensinam que ele foi criado por Deus e o identificam com o arcanjo Miguel. Os cristãos evangélicos entendem que Jesus não é um anjo criado: ele é o Filho eterno de Deus, que se tornou homem. Isso não significa dizer que Jesus é o Pai. O Novo Testamento distingue os dois, mas também atribui a Jesus uma posição que vai além da de qualquer criatura.
Veja como João apresenta o assunto. Em João 1:1-3, ele fala da Palavra, que depois identifica como aquele que se tornou humano em Jesus (João 1:14). João diz que todas as coisas vieram a existir por meio dela e que nada do que veio a existir surgiu sem ela. Essa é uma razão forte pra entender que Jesus não faz parte das coisas criadas. A redação de João 1:1 é discutida entre cristãos evangélicos e Testemunhas de Jeová, mas a pergunta levantada pelos versículos seguintes permanece: se tudo o que veio a existir foi feito por meio dele, como ele próprio poderia ser uma criatura?
Hebreus 1 também merece ser lido com calma. O capítulo compara o Filho com os anjos e insiste que ele ocupa uma posição diferente da deles. O autor até pergunta a qual dos anjos Deus alguma vez dirigiu as palavras sobre sentar-se à sua direita (Hebreus 1:13). Isso não resolve sozinho toda a discussão sobre Miguel, mas torna difícil tratar a identidade de Jesus como se ele fosse apenas o mais importante dos anjos. E, quando Tomé encontra Jesus ressuscitado, dirige-se a ele como seu Senhor e seu Deus; o relato não apresenta uma correção de Jesus a essa declaração (João 20:28).
Talvez você pense: “Mas dar essa importância a Jesus não tira de Deus a honra que pertence só a ele?” A Bíblia não coloca o Pai e o Filho como rivais. Segundo Filipenses 2:9-11, Deus exaltou Jesus, e o reconhecimento de Jesus como Senhor resulta em glória para Deus Pai. Honrar o Filho, portanto, não é deixar o Pai de lado. É levar a sério o lugar que o próprio Pai deu a ele.
A segunda diferença é muito pessoal: em que você pode confiar pra ser aceito por Deus? A Bíblia chama as pessoas ao arrependimento e a uma vida obediente. Mas ela não ensina que nossas obras conseguem comprar o perdão. Efésios 2:8-10 apresenta a salvação como um presente da graça de Deus, recebido pela fé, e explica que as boas obras vêm como resultado dessa nova vida. Isso importa porque ninguém consegue desfazer os próprios pecados por trabalhar mais ou se esforçar mais. Precisamos do perdão que Deus oferece por meio da morte e da ressurreição de Jesus.
Por isso, o convite não é simplesmente trocar uma religião por outra, nem deixar de fazer boas obras. É examinar se você tem depositado sua confiança em Jesus conforme o Novo Testamento o apresenta. Em Atos 4:12, Pedro anuncia que a salvação está nele. Em João 20:31, o propósito declarado do evangelho é que as pessoas creiam em Jesus, o Cristo e Filho de Deus, e tenham vida por meio dele.
Você não precisa resolver todas as perguntas de uma vez. Um bom começo é ler João 1, João 20, Hebreus 1 e Efésios 2, observando o que cada passagem diz sobre Jesus e a salvação. Ore a Deus pedindo entendimento. Se esses textos mostrarem que Jesus é maior do que você aprendeu e que o perdão de Deus é recebido pela fé nele, essa é uma razão séria pra reconsiderar suas crenças e confiar sua vida a Cristo.