O Testamento de Jó é um texto antigo que conta uma nova versão da história de Jó. Ele usa personagens conhecidos do livro bíblico, mas acrescenta conversas e acontecimentos que não aparecem na Bíblia. Não é uma parte perdida do livro de Jó nem faz parte das Escrituras reconhecidas pelas principais tradições cristãs.
O nome pode causar confusão. Aqui, “testamento” tem o sentido de palavras e ensinamentos deixados por alguém perto do fim da vida. No texto, Jó fala com seus filhos e conta o que viveu. Isso não significa, porém, que o próprio Jó o tenha escrito. A obra foi composta muito depois da época em que sua história é situada. A data exata é discutida, mas costuma ser associada ao período próximo do começo da era cristã.
O autor aproveitou temas do livro bíblico, especialmente o sofrimento e a perseverança de Jó, e desenvolveu a história de outra maneira. Por exemplo, o *Testamento de Jó* traz relatos mais extensos sobre a atuação de Satanás e dá destaque a acontecimentos envolvendo a família de Jó. É possível ler esse texto pra conhecer como algumas pessoas, na Antiguidade, imaginavam e recontavam a história dele. Não é correto, porém, tratar seus acréscimos como fatos confirmados sobre a vida de Jó.
O livro de Jó que está na Bíblia conta algo diferente. Seus primeiros capítulos mostram que Jó perdeu seus bens, seus filhos e sua saúde. Os amigos que vieram vê-lo insistiram que seu sofrimento devia ser consequência de algum pecado, mas não sabiam a razão daquilo que tinha acontecido (Jó 1–2; 4–25). Mais adiante, Deus falou com Jó. Ele não explicou cada motivo do seu sofrimento; mostrou a Jó que havia coisas além do que ele podia compreender (Jó 38–42). No fim, Deus também repreendeu os amigos pelo modo como haviam falado sobre ele (Jó 42:7).
Essa diferença importa porque o *Testamento de Jó* não é só outra cópia da mesma história: é uma obra posterior que acrescenta sua própria maneira de contá-la. Por isso, quando alguém quer saber o que a Bíblia ensina por meio de Jó, o ponto de partida é o livro bíblico de Jó, não o texto que mais tarde recebeu o nome de *Testamento de Jó*.