O Testamento de Abraão é uma história antiga escrita sobre Abraão, mas não faz parte da Bíblia. Apesar do nome, não é um documento que Abraão deixou antes de morrer. Foi escrito muitos séculos depois da época em que ele viveu, por um autor que não sabemos identificar.
A história imagina como Abraão teria reagido ao saber que sua morte estava próxima. Deus envia o anjo Miguel pra lhe dar a notícia, mas Abraão tenta adiar o fim. Em parte do relato, ele vê pessoas sendo julgadas e precisa lidar com a diferença entre a rapidez com que deseja condenar os outros e a misericórdia que Deus demonstra. O livro mistura momentos sérios com outros que podem soar bem-humorados. Existem duas versões antigas da história, com diferenças na maneira de contar alguns acontecimentos.
O livro pode ser interessante pra quem quer conhecer as ideias e histórias religiosas que circulavam na antiguidade. Mas ele não deve ser confundido com o relato bíblico. Em Gênesis 25:7-10, a Bíblia conta a morte e o sepultamento de Abraão sem mencionar uma viagem com Miguel ou as tentativas de adiar sua morte. Além disso, Sara morre antes de Abraão, conforme Gênesis 23:1-2, ao contrário do que acontece em parte dessa história.
A distinção mais importante é esta: o Testamento de Abraão conta uma história imaginada sobre um personagem bíblico; Gênesis é o texto bíblico que relata a vida dele. Por isso, não é seguro usar o Testamento pra descobrir o que Abraão realmente fez ou disse no fim da vida, nem pra estabelecer uma doutrina. Seu retrato do julgamento, por exemplo, inclui a ideia de pesar as boas e as más ações das pessoas. Já o Novo Testamento ensina que a salvação é recebida pela graça de Deus, mediante a fé, e não conquistada por boas obras — embora as boas obras façam parte da vida que Deus deseja dos salvos (Efésios 2:8-10).
Assim, o Testamento de Abraão tem valor como obra religiosa antiga, mas não tem a mesma autoridade das Escrituras.