Na Bíblia, “Beulá” não é o nome de um lugar que precisamos localizar no mapa. É uma palavra hebraica que significa “casada”. Em Isaías 62:4, Deus usa essa palavra pra falar da terra de Jerusalém e mostrar que a situação do seu povo mudaria: em vez de abandono e desolação, haveria restauração.
Isaías fala de Jerusalém como se ela fosse uma pessoa. Antes, a cidade e sua terra tinham sofrido tanto que pareciam abandonadas. Mas Deus promete que elas não seriam conhecidas pra sempre por essa situação. A terra seria chamada de “Beulá” — “casada” — porque voltaria a ser habitada e cuidada. No versículo seguinte, Isaías também fala da alegria de Deus pelo seu povo, comparando-a à alegria de um noivo com sua noiva (Isaías 62:4-5).
Isso não quer dizer que Deus estivesse dando à região um novo nome oficial, nem que a terra fosse literalmente se casar. O casamento é a comparação usada pra comunicar uma promessa: Deus não deixaria seu povo no abandono. Ele restauraria Jerusalém e voltaria a demonstrar seu cuidado por ela. Essa mensagem era especialmente importante porque Isaías descreve a cidade depois de um período de destruição e sofrimento.
Então por que algumas pessoas usam “Terra de Beulá” pra falar do céu? Essa ideia vem principalmente de obras e canções cristãs. No livro *O Peregrino*, de John Bunyan, Beulá é uma região de descanso pela qual os viajantes passam pouco antes de chegar à Cidade Celestial. Em alguns hinos, a expressão passou a representar a alegria de estar perto do céu; em outros, tornou-se um nome poético pro próprio céu.
Esses usos podem expressar a esperança cristã, mas é bom distinguir a imagem criada por escritores e compositores do que Isaías diz. Em Isaías 62, Beulá fala da restauração de Jerusalém e do cuidado de Deus por seu povo; não é uma descrição bíblica de uma região antes do céu nem outro nome bíblico pro céu.