A pergunta principal é esta: Gênesis nos diz há quanto tempo Deus criou a Terra? Cristãos dos dois lados concordam que Deus é o Criador. A diferença está em como entendem os primeiros capítulos da Bíblia e em como avaliam as evidências sobre a idade da Terra.
A posição da Terra jovem entende, em geral, que os seis dias de Gênesis 1 foram dias comuns. Ao calcular o tempo das gerações mencionadas na Bíblia, seus defensores concluem que a criação aconteceu há alguns milhares de anos. Eles também argumentam que Êxodo 20:11 relaciona os seis dias da criação aos seis dias de trabalho da semana humana. Por isso, questionam as interpretações científicas que apontam para uma Terra muito mais antiga.
A posição da Terra antiga entende que Gênesis ensina com clareza *quem* criou todas as coisas, mas não estabelece necessariamente *há quanto tempo* isso aconteceu. Há diferentes maneiras de defender essa leitura. Alguns entendem os dias da criação como períodos longos; outros veem a sequência dos dias como uma forma de apresentar o que Deus fez, sem a intenção de dar uma medida de tempo. Isso não significa, por si só, tratar Gênesis como uma história inventada. Muitos cristãos que aceitam uma Terra antiga também rejeitam a ideia de que a vida surgiu sem a ação de Deus.
A idade da Terra não aparece como um número na Bíblia. O cálculo de alguns milhares de anos depende de como se entendem os dias da criação e de como se usam as genealogias bíblicas. Essas listas mostram relações entre gerações, mas o texto não diz expressamente que foram escritas pra calcular a data da criação.
Do lado da ciência, estudos das rochas, de materiais radioativos e da astronomia apontam, em conjunto, pra uma Terra com cerca de 4,5 bilhões de anos e um universo com cerca de 13,8 bilhões de anos. Os defensores da Terra jovem contestam as conclusões tiradas dessas evidências e propõem outras explicações. O debate, portanto, não se resolve simplesmente dizendo que um lado crê na Bíblia e o outro crê na ciência: há questões reais de interpretação bíblica e de avaliação das evidências científicas.
Existe ainda uma dificuldade teológica importante. Se a Terra é muito antiga, animais teriam morrido muito antes do pecado humano. Alguns cristãos entendem que isso entra em conflito com o ensino bíblico de que a morte veio por causa do pecado. Outros observam que Romanos 5:12 fala especificamente da entrada da morte entre os seres humanos por meio do pecado de Adão. Assim, discordam sobre o que essa passagem permite concluir a respeito da morte dos animais antes da queda.
O ponto firme é que a Bíblia apresenta Deus como Criador e ensina que o pecado humano trouxe a morte e a necessidade de salvação (Gênesis 1:1; Romanos 5:12-19). Já a idade exata da Terra não é declarada nas Escrituras. Por isso, cristãos que levam a Bíblia a sério podem discordar nesse assunto sem que a discordância, por si só, defina quem tem ou não fé em Cristo. O melhor caminho é examinar com cuidado tanto o que o texto bíblico realmente afirma quanto as evidências apresentadas, sem exigir de nenhum dos dois uma resposta que não se propõe a dar.