Terapia de conversão, também chamada de terapia reparativa, é o nome dado a práticas que procuram mudar a orientação sexual de uma pessoa, geralmente pra que ela deixe de sentir atração por pessoas do mesmo sexo e passe a sentir atração pelo sexo oposto. Essas práticas variam bastante. Por isso, não dá pra avaliar todas como se fossem uma coisa só. Mas a resposta à pergunta principal é: a Bíblia não ensina nem recomenda uma terapia pra mudar a orientação sexual de alguém.
Isso não impede um cristão de buscar ajuda pra viver de acordo com suas convicções. A diferença está no objetivo e na maneira de ajudar. Ouvir alguém com respeito, orar com essa pessoa e ajudá-la a pensar sobre suas escolhas não é o mesmo que prometer uma mudança de atração, pressioná-la a mudar ou submetê-la a métodos que lhe causem sofrimento.
A discussão bíblica sobre sexualidade é importante, mas precisa ser tratada com cuidado. Uma interpretação cristã tradicional entende que a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo contraria o ensino bíblico sobre o sexo (Romanos 1:26–27; 1 Coríntios 6:9–11). Há cristãos que interpretam essas passagens de outra forma. Mesmo entre os que seguem a interpretação tradicional, porém, é preciso distinguir atração, comportamento e identidade. Esses textos não apresentam um método pra eliminar atrações, nem autorizam tratar alguém com crueldade por causa delas.
Também é importante entender o que a Bíblia quer dizer quando fala de mudança. Em 1 Coríntios 6:11, Paulo diz que pessoas com histórias de vida diferentes foram lavadas, santificadas e justificadas em Cristo. O ponto dele é que a graça de Deus alcança pessoas e transforma a relação delas com o pecado. Ele não afirma que todas as atrações ou tentações desaparecem, nem diz que alguém precisa se tornar heterossexual pra demonstrar fé verdadeira. Ao longo da vida cristã, obedecer a Deus pode incluir continuar resistindo a desejos que não desapareceram.
Por isso, não é correto prometer: “Se você tiver fé suficiente, sua orientação sexual vai mudar.” A Bíblia não faz essa promessa. Também não é justo concluir que uma pessoa fracassou espiritualmente porque suas atrações não mudaram. A fé cristã chama todos os discípulos de Jesus à obediência e ao domínio próprio; ela não coloca sobre um grupo a obrigação de provar sua fé por uma mudança específica de atração (Mateus 16:24; Gálatas 5:22–23).
Algumas práticas já usadas sob o nome de terapia de conversão envolveram pressão, vergonha ou tentativas de provocar aversão. Isso não combina com o cuidado e a dignidade com que as pessoas devem ser tratadas. Quem deseja conversar sobre sua sexualidade e sua fé deve poder buscar apoio sem coerção, sem promessas que ninguém pode garantir e sem ser afastado de cuidados de saúde mental quando precisar deles.
Em resumo, a terapia de conversão não é uma exigência bíblica nem um caminho que a Bíblia ensine. É possível falar com seriedade sobre as convicções cristãs a respeito da sexualidade e, ao mesmo tempo, recusar métodos abusivos e promessas de mudança que as Escrituras não fazem. O chamado de Jesus é pra segui-lo — não pra alcançar uma determinada orientação sexual.