Pastor Antônio Junior

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A teoria mimética é bíblica?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A teoria mimética ajuda a entender alguns comportamentos que a Bíblia descreve, mas não é um ensinamento da Bíblia nem explica, sozinha, o problema do pecado ou a morte de Jesus. Ela pode ser útil, desde que seja avaliada à luz das Escrituras, e não usada como uma chave pra explicar tudo o que as Escrituras dizem.

René Girard, que desenvolveu essa teoria, observou que muitas vezes aprendemos a desejar algo porque vemos outras pessoas desejando aquilo. Isso pode gerar rivalidade: duas pessoas querem a mesma posição, o mesmo reconhecimento ou aquilo que só uma delas pode ter. Quando o conflito cresce, um grupo pode acabar colocando a culpa em uma pessoa e se unindo contra ela. É daí que vem a ideia do “bode expiatório” na teoria: alguém tratado como culpado pelos problemas de todos, mesmo que não seja.

A Bíblia reconhece que imitamos outras pessoas e que nossos desejos podem nos levar ao conflito. Paulo, por exemplo, incentiva os cristãos a seguir seu exemplo naquilo em que ele segue Cristo (1 Coríntios 11:1). Tiago mostra que desejos desordenados podem produzir brigas (Tiago 4:1-2). E os Evangelhos mostram líderes que, por inveja, se opuseram a Jesus (Marcos 15:10). Nesse sentido, a teoria pode chamar nossa atenção pra coisas reais que aparecem no texto bíblico.

Mas há um limite importante. A Bíblia não diz que todo pecado começa porque copiamos o desejo de outra pessoa. Ela também fala da responsabilidade de cada um diante de Deus e de males como orgulho, incredulidade e desobediência (Marcos 7:20-23; Romanos 3:23). Seria reduzir demais o ensino bíblico dizer que a raiz de todos os nossos problemas é a rivalidade.

O mesmo cuidado vale pra morte de Jesus. Girard ajuda a perceber um aspecto da crucificação: uma multidão se voltou contra alguém inocente. Os Evangelhos não escondem a injustiça cometida contra Cristo. Mas a cruz, na Bíblia, é mais do que a exposição de uma injustiça. Jesus entregou a própria vida pelos pecadores; sua morte está ligada ao perdão dos pecados e à nossa reconciliação com Deus (Marcos 10:45; Romanos 5:8-10; 1 Pedro 3:18). Se a teoria for usada pra deixar essa parte de lado, ela já não estará fazendo justiça ao ensino bíblico.

Também é bom não confundir dois usos da expressão “bode expiatório”. No Dia da Expiação, em Israel, um bode era enviado pra longe como parte de uma cerimônia que representava a remoção dos pecados do povo (Levítico 16:20-22). Isso não é a mesma coisa que uma multidão culpar uma pessoa inocente pra descarregar nela sua raiva. As duas imagens podem parecer semelhantes, mas não significam a mesma coisa.

Então, a resposta é: a teoria mimética tem ideias que combinam com certas observações da Bíblia, mas não deve ser chamada, como um todo, de “bíblica”. Ela pode ajudar a enxergar como a inveja, a rivalidade e a acusação injusta funcionam. Só não pode substituir o que a Bíblia ensina sobre o pecado, a responsabilidade humana e o que Cristo fez por nós na cruz.