A teoria JEDP é uma explicação sobre como surgiram os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Esses livros são chamados de *Pentateuco* e, tradicionalmente, são ligados a Moisés.
Segundo essa teoria, o Pentateuco não foi escrito inteiramente por Moisés. Ele teria reunido textos de diferentes épocas e grupos, que mais tarde foram organizados na forma que conhecemos. As letras J, E, D e P são nomes dados pelos estudiosos a quatro conjuntos de textos que eles acreditam encontrar nesses livros:
- J vem do nome de Deus representado por “Javé” ou “Jeová”.
- E vem de *Elohim*, outra palavra hebraica usada para Deus.
- D está ligado principalmente a Deuteronômio.
- P vem da palavra inglesa *priestly*, que significa “sacerdotal”, por causa da atenção dada a sacerdotes, rituais e leis de culto.
A ideia não surgiu só porque aparecem nomes diferentes para Deus. Seus defensores também observam diferenças de linguagem, relatos que parecem repetir um acontecimento e trechos de leis que, segundo eles, refletem situações de épocas distintas. A partir dessas observações, propõem que o texto passou por um longo processo de composição.
É importante separar o que podemos observar da explicação proposta. Podemos ver, por exemplo, que Gênesis 1 usa *Elohim*, enquanto Gênesis 2 também usa o nome pessoal de Deus. O que isso significa já é uma questão de interpretação. Pode indicar que textos de origens diferentes foram reunidos, como propõe a teoria. Mas o uso de nomes diferentes, por si só, não prova que houve autores diferentes: um mesmo autor também pode escolher nomes distintos conforme o que deseja comunicar. Da mesma forma, é natural que uma narrativa tenha linguagem diferente de uma lista de leis.
Também não foram encontrados manuscritos separados identificados como “J”, “E”, “D” e “P”. Essas letras são rótulos criados pelos estudiosos pra descrever partes que eles entendem como provenientes de fontes diferentes. Isso não torna a proposta automaticamente falsa, mas significa que a divisão dos textos depende de argumentos e interpretações, não da descoberta desses quatro documentos.
E o que a Bíblia diz sobre Moisés? Ela afirma que ele escreveu ensinamentos e acontecimentos importantes. Êxodo 24:4 diz que Moisés escreveu as palavras do Senhor; Deuteronômio 31:9 diz que ele escreveu a lei. Jesus também se refere à passagem da sarça ardente, em Êxodo, como parte do “livro de Moisés” (Marcos 12:26). Essas referências mostram que a ligação entre Moisés e o Pentateuco é bíblica e não deve ser descartada de maneira leviana.
Ao mesmo tempo, chamar o conjunto de “livro de Moisés” não resolve, sozinho, quem escreveu cada frase dele. Deuteronômio 34, por exemplo, conta a morte de Moisés. É possível reconhecer Moisés como figura central na origem desses livros e admitir que outras pessoas tenham registrado ou organizado certas partes depois dele. Isso, porém, não equivale a aceitar toda a divisão proposta pela teoria JEDP.
Portanto, JEDP é uma teoria sobre a composição do Pentateuco, não um fato demonstrado pela simples existência de nomes diferentes para Deus. Ela procura explicar características reais do texto, mas suas conclusões são discutidas. Ao estudar o assunto, o melhor caminho é levar a sério tanto o que a Bíblia afirma sobre Moisés quanto os detalhes dos próprios livros, sem tratar uma hipótese como certeza — nem afirmar que toda pergunta sobre a formação desses livros é um ataque à Bíblia.