A teoria do ditado é a ideia de que Deus falou cada palavra da Bíblia aos seus escritores, e eles apenas registraram o que ouviram, como alguém que escreve um texto ditado por outra pessoa. Ela tenta explicar como a Bíblia pode ser Palavra de Deus. A dificuldade é que a Bíblia não apresenta esse método como a maneira pela qual todos os seus livros foram escritos.
A Bíblia afirma que as Escrituras vêm de Deus e são úteis para ensinar, corrigir e preparar seu povo para viver de acordo com a vontade dele (2 Timóteo 3:16-17). Pedro também diz que os profetas falaram da parte de Deus, conduzidos pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:21). Essas passagens dão fundamento à inspiração bíblica, mas não dizem que todos os escritores ficaram passivos enquanto Deus ditava cada frase.
Houve, sim, ocasiões em que Deus mandou alguém transmitir palavras específicas. Jeremias, por exemplo, recebeu a ordem de anunciar ao povo tudo o que Deus lhe havia mandado dizer, sem omitir nada (Jeremias 26:2). Isso mostra que um profeta podia receber uma mensagem com palavras determinadas. Mas não significa que Deus usou esse mesmo método para produzir cada parte da Bíblia.
Outros trechos deixam clara a participação dos escritores. Lucas conta que pesquisou os acontecimentos e decidiu escrever um relato organizado (Lucas 1:1-4). Nas cartas de Paulo, encontramos suas preocupações, orações e maneiras próprias de se dirigir às pessoas. Nada disso precisa ser visto como uma ameaça à inspiração. A participação humana não impede que Deus tenha guiado a escrita das Escrituras.
Por isso, muitos cristãos entendem que Deus guiou os autores bíblicos de modo que escrevessem aquilo que ele queria comunicar, sem apagar a personalidade, o trabalho e a forma de escrever de cada um. A teoria do ditado acerta ao levar a sério a origem divina da Bíblia, mas vai além do que as Escrituras afirmam quando trata todos os seus autores como simples copistas de palavras ditadas por Deus.