A teoria das tabuinhas diz que Moisés teria usado registros antigos ao escrever Gênesis. Segundo essa ideia, pessoas como Adão, Noé e outros personagens do livro teriam escrito relatos em tabuinhas, que passaram de uma geração pra outra até chegar a Moisés.
É uma possibilidade interessante, mas a Bíblia não diz que isso aconteceu. Ela não menciona essas tabuinhas, não conta que os patriarcas escreveram os relatos de Gênesis e não explica de que maneira Moisés recebeu todas as informações que registrou. Por isso, a teoria pode ser estudada, mas não deve ser ensinada como um fato bíblico.
A ideia ficou conhecida como *hipótese de Wiseman*, por causa de Percy Wiseman, que a defendeu no século passado. Seu principal argumento está numa expressão repetida em Gênesis: “estas são as gerações de”, ou palavras semelhantes. Ela aparece, por exemplo, em Gênesis 5:1, 6:9 e 37:2. Wiseman entendeu que essas frases marcavam o fim de registros antigos usados por Moisés, como uma identificação de cada tabuinha.
O problema é que a expressão também pode ser entendida — e costuma ser entendida — como a abertura do relato que vem a seguir. Em Gênesis 37:2, por exemplo, aparecem as “gerações de Jacó”, e logo depois começa a história de sua família, especialmente de José. O próprio uso da frase no livro, portanto, não prova que ela identifica uma tabuinha escrita anteriormente, muito menos quem a escreveu.
Isso não significa que Moisés não possa ter usado fontes. Um autor bíblico podia receber informações por relatos transmitidos entre pessoas, por documentos ou por outros meios. Mas dizer que ele *poderia* ter usado registros antigos é diferente de afirmar que Adão escreveu uma tabuinha, que Noé a levou na arca e que ela chegou até Moisés. Esses detalhes não são confirmados pelo texto bíblico.
A teoria costuma ser apresentada como uma forma de defender a ligação de Moisés com os primeiros livros da Bíblia. O Novo Testamento de fato fala dos escritos de Moisés, como vemos em João 5:45-47. Mas essas passagens não dizem que ele usou tabuinhas nem descrevem como cada parte de Gênesis foi produzida. Também não é preciso escolher entre a teoria das tabuinhas e a ideia de que o livro só poderia ter sido formado por autores muito posteriores. A questão de possíveis fontes usadas por Moisés é diferente da questão de quem deu forma ao livro.
Por fim, a inspiração divina não depende de uma explicação sobre o material que o escritor tinha em mãos. Segundo 2 Pedro 1:21, os autores das Escrituras falaram da parte de Deus, conduzidos pelo Espírito Santo. Essa passagem afirma a ação de Deus na escrita bíblica; ela não identifica as fontes usadas em Gênesis.
Então, a resposta é: a teoria das tabuinhas não é antibíblica simplesmente por sugerir que Moisés possa ter consultado registros antigos, mas também não é uma explicação ensinada ou comprovada pela Bíblia. Podemos reconhecer essa possibilidade sem tratar seus detalhes como algo que as Escrituras revelaram.