A teoria da alucinação é uma tentativa de explicar por que os seguidores de Jesus disseram tê-lo visto vivo depois da crucificação. Segundo essa hipótese, Jesus não ressuscitou: algumas pessoas tiveram experiências que lhes pareceram encontros reais com ele, mas aconteceram apenas em suas mentes.
A hipótese leva a sério um ponto importante: os primeiros cristãos estavam convencidos de que tinham visto Jesus. Paulo registra que Jesus apareceu a Pedro, aos demais apóstolos, a um grupo de mais de quinhentas pessoas, a Tiago e, por fim, ao próprio Paulo (1 Coríntios 15:3-8). A pergunta, então, não é só se essas pessoas acreditavam no que diziam. É o que explica essa convicção.
Uma experiência individual pode parecer muito real pra quem a vive. Por isso, não basta responder que os discípulos estavam sinceros. Alguém pode estar sinceramente enganado. A dificuldade pra teoria da alucinação é explicar o conjunto dos relatos.
Os Evangelhos não apresentam os discípulos esperando tranquilamente pela volta de Jesus. Eles mostram tristeza, medo e até dificuldade de acreditar nas primeiras notícias da ressurreição (Lucas 24:9-11; João 20:24-25). Isso não torna uma alucinação impossível, mas enfraquece a ideia de que todos viram Jesus simplesmente porque esperavam vê-lo.
Há também os relatos de encontros com grupos. Em Lucas 24:36-43, Jesus aparece aos discípulos reunidos, conversa com eles e come diante deles. Em João 20:26-29, aparece novamente quando Tomé está presente. Uma alucinação é uma experiência pessoal; chamar esses encontros de alucinações não explica, por si só, por que várias pessoas afirmaram ter participado do mesmo acontecimento. É preciso lembrar, porém, que os relatos bíblicos são os testemunhos que estão sendo avaliados, não uma prova independente de cada detalhe.
Tiago e Paulo também merecem atenção. João 7:5 diz que os irmãos de Jesus não criam nele durante seu ministério; depois, Paulo inclui Tiago entre aqueles a quem Jesus apareceu (1 Coríntios 15:7). O próprio Paulo perseguia os cristãos antes de passar a anunciar Jesus (Atos 9:1-22; 1 Coríntios 15:9). A teoria precisa explicar as experiências atribuídas não apenas a seguidores enlutados, mas também a essas pessoas.
Por fim, alucinações não explicam o túmulo vazio relatado nos Evangelhos (por exemplo, Lucas 24:1-6). Se Jesus continuasse sepultado, seria necessária outra explicação pra ausência de seu corpo. Quem não aceita a ressurreição pode propor essa outra explicação ou questionar algum dos relatos; a teoria da alucinação, sozinha, não resolve a questão.
Em resumo, a teoria da alucinação diz que as aparições de Jesus foram experiências reais *pra quem as teve*, mas não encontros reais com Jesus vivo. Ela tenta explicar a convicção dos primeiros cristãos sem recorrer a um milagre. Sua principal dificuldade é explicar, ao mesmo tempo, os relatos de encontros com grupos, a mudança de pessoas como Tiago e Paulo e o túmulo vazio. Por isso, a fé cristã entende que a explicação dada pelos primeiros testemunhos continua sendo a mais adequada: Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos.