Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que significa dizer que a Igreja substituiu Israel?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Essa ideia é chamada de teologia da substituição, ou *supersessionismo*. Em termos simples, ela diz que as promessas feitas por Deus a Israel agora se cumprem no povo de Cristo, a Igreja, e que Israel, como nação, não tem mais um papel próprio no plano de Deus.

Mas é bom tomar cuidado com a palavra “substituiu”. Ela pode dar a impressão de que Deus desistiu dos judeus e escolheu outro povo no lugar deles. Nem todos os cristãos associados a essa interpretação entendem o assunto desse jeito. Alguns preferem dizer que a Igreja é a *continuação* do povo de Deus: nela, judeus e não judeus recebem juntos, por meio de Jesus, as bênçãos prometidas a Abraão. Gálatas 3:26-29 e Efésios 2:11-22 são passagens importantes pra essa leitura.

A grande dúvida é o que acontece, então, com as promessas feitas especificamente a Israel. Elas se cumprem inteiramente em Cristo e na Igreja? Ou Deus ainda fará algo específico pelo povo judeu? Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia respondem de maneiras diferentes a essa pergunta.

Paulo deixa duas coisas muito claras em Romanos 11. Primeiro, Deus não rejeitou o povo judeu de modo definitivo. O próprio Paulo era judeu e cria em Jesus, e ele espera que muitos outros judeus venham a crer. Segundo, ninguém que não é judeu tem motivo pra se achar superior. Paulo compara esses cristãos a ramos enxertados numa árvore: eles passaram a participar das bênçãos de Deus, mas não devem desprezar os ramos naturais. É nesse contexto que ele fala de uma futura salvação de Israel e diz que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:25-29).

Há diferentes maneiras de entender essa futura salvação. Alguns veem nela a conversão de muitos judeus a Cristo, sem que isso exija um futuro reino nacional de Israel. Outros entendem que Deus ainda cumprirá promessas específicas à nação de Israel. As duas leituras precisam levar a sério o ponto central de Paulo: judeus e não judeus só são salvos pela misericórdia de Deus, por meio de Cristo. Não existem dois caminhos de salvação.

Também não é preciso adotar um calendário detalhado do fim dos tempos pra responder a essa questão. Ideias como um arrebatamento antes da tribulação, seguido de um reino de mil anos com Israel no centro, pertencem a uma interpretação específica das profecias. Elas não são uma consequência obrigatória de rejeitar a teologia da substituição. Da mesma forma, a criação do Estado moderno de Israel, em 1948, é um fato histórico importante, mas, por si só, não resolve como as promessas bíblicas devem ser entendidas.

Então, a resposta curta é: a teologia da substituição entende que a Igreja ocupa agora o lugar de Israel no cumprimento das promessas de Deus. O que precisa ser examinado com mais cuidado é *como* isso é entendido. O Novo Testamento afirma tanto que pessoas de todas as nações pertencem ao povo de Deus pela fé em Jesus quanto que Deus não rejeitou simplesmente o povo judeu. Qualquer explicação sobre Israel e a Igreja precisa fazer justiça às duas verdades.