A expressão vem de uma época em que “ciência” tinha um sentido mais amplo do que costuma ter hoje. Não se referia apenas a estudos feitos com experiências e medições, como a física ou a química. Também podia significar um campo de conhecimento estudado de maneira organizada. Nesse sentido, a teologia — o estudo de Deus e do que ele revelou — era considerada uma ciência.
Ela era chamada de “rainha” porque tratava das perguntas que, para os cristãos daquela época, davam sentido às demais: quem é Deus, por que o mundo existe e para que serve a vida humana. Nas universidades medievais, outras áreas ajudavam a entender partes da realidade; a teologia procurava entender a realidade à luz de Deus.
Há uma ideia bíblica importante por trás disso. Provérbios 1:7 ensina que o temor do Senhor é o princípio do conhecimento. Isso não quer dizer que alguém precise ler a Bíblia para descobrir como funciona uma estrela ou tratar uma doença. Quer dizer que conhecer a Deus muda a maneira de olhar para aquilo que aprendemos: o mundo é criação dele, a verdade importa, e o conhecimento deve ser usado com sabedoria, não apenas com habilidade.
Ao mesmo tempo, “rainha das ciências” não é um título que a Bíblia dá à teologia. É uma maneira histórica de falar da importância que ela tinha no ensino cristão. E essa importância não faz da Bíblia um manual de todas as matérias. A observação e a pesquisa têm seu lugar. A teologia, por sua vez, ajuda a responder perguntas que uma medição, por si só, não resolve — por exemplo, o que é certo fazer com uma descoberta e qual é o valor de uma pessoa.
Por isso, a expressão faz sentido quando é entendida com cuidado: a teologia não substitui as outras áreas do conhecimento nem decide seus resultados sem estudá-las. Ela lembra ao cristão que aprender sobre o mundo também envolve responsabilidade diante de Deus. E, como todo estudo humano, a própria teologia precisa ser feita com atenção e humildade, procurando entender corretamente as Escrituras, como Paulo orienta em 2 Timóteo 2:15.