A teologia do processo é uma maneira de entender Deus que dá um lugar central à mudança. Sua ideia principal é que Deus se relaciona tão profundamente com o mundo que aquilo que acontece aqui também faz diferença na vida dele. À medida que a história avança, Deus teria novas experiências e, nesse sentido, mudaria.
Isso precisa de uma distinção. A teologia do processo não ensina simplesmente que Deus muda de opinião a toda hora ou deixa de ser bom. Muitos de seus defensores dizem que o amor e a fidelidade de Deus permanecem, mas que suas experiências mudam conforme as pessoas agem. Em geral, também entendem que Deus não determina tudo o que vai acontecer. Ele conhece as possibilidades do futuro e procura conduzir as pessoas para o bem, mas não controla suas decisões.
Essa ideia tenta levar a sério algo que a Bíblia realmente mostra: Deus não é distante nem indiferente. Ele ouve orações, responde às pessoas e se entristece diante do mal. Quando os moradores de Nínive abandonaram sua maldade, por exemplo, Deus não trouxe o castigo que havia anunciado contra a cidade (Jonas 3:10).
A questão é como entender essas respostas de Deus. A teologia do processo vê nelas um Deus que muda junto com a história. A compreensão cristã evangélica mais comum entende de outro modo: Deus age de maneiras diferentes em situações diferentes, sem que seu caráter, seu conhecimento ou seus propósitos precisem mudar. No caso de Nínive, o aviso de julgamento chamava a cidade ao arrependimento; quando as pessoas se arrependeram, Deus lhes mostrou misericórdia.
Essa diferença importa porque a Bíblia não apresenta Deus apenas como alguém que reage aos acontecimentos. Ela também o apresenta como aquele que conhece o fim desde o começo e realiza seus propósitos (Isaías 46:10). Tiago diz que Deus não está sujeito à mudança como as coisas criadas (Tiago 1:17), e o salmista afirma que os planos do Senhor permanecem (Salmo 33:11). Essas passagens sustentam a confiança de que Deus é fiel e não será surpreendido por algo que o impeça de cumprir o que prometeu.
Também é importante não atribuir a todos os defensores da teologia do processo as mesmas crenças sobre Jesus ou a salvação. Há diferenças entre eles. Ainda assim, certas formas dessa teologia entram em conflito com ensinamentos centrais da fé cristã, especialmente quando deixam de reconhecer plenamente quem Jesus é ou a necessidade de sua obra para nos salvar. O Novo Testamento apresenta Jesus como Deus que se fez homem (João 1:1, 14) e ensina que a salvação vem por meio dele (Atos 4:12).
Em resumo, a teologia do processo procura explicar como Deus se envolve de verdade com um mundo em mudança. A dificuldade, do ponto de vista bíblico evangélico, é que o envolvimento real de Deus não exige que ele tenha conhecimento limitado do futuro ou que dependa do mundo para ser quem é. Podemos confiar que ele nos ouve e responde às nossas orações sem deixar de confiar, ao mesmo tempo, que ele conhece todas as coisas e permanece fiel ao que prometeu.