A teologia da glória é uma maneira de pensar que procura reconhecer a ação e a aprovação de Deus principalmente naquilo que parece grandioso aos nossos olhos: sucesso, poder, riqueza, influência ou resultados impressionantes. Por esse raciocínio, se uma igreja cresce muito, Deus certamente aprova tudo o que ela faz; se um cristão prospera, sua prosperidade prova que ele está agradando a Deus.
O problema não é agradecer por uma cura, uma oportunidade de trabalho ou o crescimento de uma igreja. Deus pode conceder essas coisas. O problema é tratá-las como prova segura de sua aprovação. Uma igreja pode crescer e, ainda assim, precisar corrigir erros. Um cristão fiel pode perder o emprego sem que isso signifique que Deus o abandonou.
Foi nesse sentido que Martinho Lutero, no século XVI, contrastou a “teologia da glória” com a “teologia da cruz”. Ele queria mostrar que não podemos decidir como Deus age apenas olhando para o que o mundo considera forte ou vitorioso. O exemplo decisivo é Jesus: sua morte na cruz pareceu uma derrota, mas foi por meio dela que Deus realizou nossa salvação.
Paulo explica essa diferença em 1 Coríntios 1:18–25. Para muita gente, a mensagem de um Salvador crucificado parecia absurda e fraca. Mas aquilo que parecia fraqueza era o modo escolhido por Deus pra salvar os que creem. Por isso, se usarmos apenas sucesso e força como medida, podemos deixar de reconhecer justamente aquilo que Deus está fazendo.
Isso também muda a maneira de olhar pra vida cristã. Paulo descreve a si mesmo e a seus companheiros como pessoas frágeis, que carregavam uma mensagem preciosa. Assim ficava claro que o poder vinha de Deus, não deles (2 Coríntios 4:7). E Jesus disse que segui-lo envolve negar a si mesmo e tomar a própria cruz (Marcos 8:34). A fidelidade a Deus, portanto, não garante uma vida de vitórias visíveis.
Isso não quer dizer que todo sofrimento seja uma bênção disfarçada, nem que o sucesso seja suspeito por si só. Quer dizer que nenhuma dessas coisas, isoladamente, nos permite afirmar se Deus aprova alguém. Pra entender quem Deus é e como ele nos salva, olhamos primeiro pra Jesus — especialmente pra sua cruz — e não apenas para os resultados que nos impressionam.