Não. Ser tentado não é, por si só, pecado. Jesus foi tentado e nunca pecou (Hebreus 4:15). A diferença está entre sentir a pressão pra fazer algo errado e aceitar essa ideia, alimentá-la ou colocá-la em prática.
Uma tentação pode vir de fora, como uma proposta desonesta, ou surgir dos nossos próprios desejos. Tiago explica que esses desejos podem nos atrair pro pecado, mas distingue a tentação do pecado que nasce quando cedemos a ela (Tiago 1:14-15). Por isso, perceber um impulso errado não significa que você já pecou. Também não é preciso chegar a uma ação visível pra pecar: Jesus ensinou que alimentar deliberadamente um olhar de desejo sexual por outra pessoa já é pecado no coração (Mateus 5:28).
Pense em José. A esposa de seu senhor insistiu pra que ele se deitasse com ela. José recusou e, quando ela tentou segurá-lo, fugiu (Gênesis 39:7-12). A proposta não foi pecado de José; ele escolheu não ceder. Esse exemplo também mostra que, às vezes, a melhor resposta não é ficar tentando provar que conseguimos resistir. É sair da situação.
Nem toda tentação, porém, pode ser evitada. Quando ela aparecer, podemos pedir ajuda a Deus, lembrar o que ele diz e escolher não dar espaço ao desejo errado. Paulo orienta os cristãos a não planejarem maneiras de satisfazer os desejos pecaminosos (Romanos 13:14), e afirma que Deus nos ajuda a suportar a tentação (1 Coríntios 10:13).
Então, se você foi tentado, não conclua automaticamente que pecou. O importante é o que faz com essa tentação. E, se cedeu — mesmo que tenha sido apenas ao alimentar um pensamento errado —, pode reconhecer isso diante de Deus e buscar seu perdão e sua ajuda pra agir de outro modo.