São os dias que Deus mandou Israel separar para adorá-lo. Levítico 23 apresenta um dia observado toda semana — o sábado — e várias celebrações ao longo do ano. Nessas datas, o povo descansava, se reunia e se lembrava do que Deus tinha feito por ele. Algumas também marcavam as épocas de colheita.
O sábado vinha primeiro (Levítico 23:3). A cada sete dias, os israelitas deviam parar de trabalhar. Esse descanso os lembrava da criação e também da libertação da escravidão no Egito (Êxodo 20:11; Deuteronômio 5:15).
Depois, o capítulo apresenta as celebrações anuais:
- Páscoa — no dia 14 do primeiro mês, lembrava a noite em que Deus poupou os israelitas no Egito, antes da saída do povo (Levítico 23:4-5; Êxodo 12).
- Festa dos Pães sem Fermento — começava no dia seguinte e durava sete dias. O pão sem fermento lembrava a saída apressada do Egito (Levítico 23:6-8; Deuteronômio 16:3).
- Oferta dos primeiros frutos — no começo da colheita, o sacerdote apresentava a Deus um feixe dos primeiros cereais colhidos. Antes disso, o povo não devia comer da nova colheita. Era uma forma de reconhecer que a terra e seu alimento vinham de Deus (Levítico 23:9-14).
- Festa das Semanas — era celebrada após a contagem de sete semanas completas, no quinquagésimo dia. O povo apresentava a Deus uma oferta da colheita. No Novo Testamento, essa festa é chamada de Pentecostes (Levítico 23:15-22; Atos 2:1).
- Dia do toque de trombetas — no primeiro dia do sétimo mês, o povo descansava e se reunia ao som de trombetas (Levítico 23:23-25). Ele passou a ser associado ao ano-novo judaico, mas Levítico não o chama de “Dia de Ano Novo”.
- Dia da Expiação — no décimo dia do sétimo mês, Israel devia parar de trabalhar e se humilhar diante de Deus por causa dos seus pecados (Levítico 23:26-32). Levítico 16 explica que, nesse dia, o sumo sacerdote realizava os rituais de expiação pelo povo.
- Festa das Cabanas — começava no dia 15 do sétimo mês. Durante sete dias, os israelitas moravam em abrigos temporários para se lembrar de que Deus cuidou deles depois da saída do Egito. Era também um tempo de alegria pela colheita; após os sete dias, havia uma reunião solene no oitavo dia (Levítico 23:33-43).
Esses dias não eram apenas datas de um calendário. Por meio deles, Israel se lembrava da libertação, reconhecia que dependia de Deus para viver e tratava com seriedade o pecado e a adoração.
Para os cristãos, essas celebrações também ajudam a entender a obra de Jesus. O Novo Testamento o relaciona à Páscoa (1 Coríntios 5:7), chama sua ressurreição de “primeiros frutos” daqueles que ressuscitarão (1 Coríntios 15:20) e apresenta seu sacrifício como suficiente para nos dar acesso a Deus (Hebreus 9:11-12). Isso não significa que cada detalhe das festas tenha uma interpretação profética certa, nem que os cristãos sejam obrigados a guardar o calendário de Israel. Paulo orienta a não julgar uns aos outros por causa da observância de festas e sábados (Colossenses 2:16-17). O principal é entender o que esses dias ensinavam sobre Deus e como a obra de Cristo nos ajuda a enxergar esse ensino com mais clareza.