A expressão indica um período de três anos e meio. A conta é esta: “um tempo” corresponde a um ano, “tempos” a dois anos, e “metade de um tempo” a meio ano. O próprio capítulo ajuda a entender isso. Em Apocalipse 12:6, a mulher é cuidada por Deus durante 1.260 dias; no versículo 14, esse período é chamado de “um tempo, tempos e metade de um tempo”.
Mas a pergunta mais importante é: o que acontece durante esse tempo? Apocalipse 12 apresenta um dragão, identificado no próprio capítulo como Satanás (Apocalipse 12:9), perseguindo uma mulher. Ela foge para um lugar onde Deus cuida dela, apesar dos ataques do dragão. Portanto, a expressão não é só uma maneira diferente de contar dias. Ela faz parte de uma mensagem sobre perseguição e cuidado de Deus.
Essa maneira de falar do tempo aparece também em Daniel 7:25 e 12:7, em passagens ligadas ao sofrimento do povo de Deus. Apocalipse menciona ainda 42 meses de autoridade para a besta (Apocalipse 13:5). Por isso, muitos cristãos relacionam essas passagens: elas descrevem um tempo de oposição intensa a Deus e ao seu povo, mas um tempo limitado.
Há diferenças de interpretação sobre *quando* esses três anos e meio acontecem. Alguns entendem que são três anos e meio literais, numa tribulação futura. Outros entendem o número como uma forma simbólica de mostrar que a perseguição não durará para sempre. A ideia de que se trata necessariamente da última metade de uma tribulação de sete anos depende de uma interpretação das profecias de Daniel e Apocalipse; Apocalipse 12:14, sozinho, não afirma isso. Também há diferentes entendimentos sobre quem a mulher representa: muitos a identificam com Israel, enquanto outros a entendem de maneira mais ampla, ligada ao povo de Deus.
O ponto claro da passagem é este: Satanás persegue, mas não decide por quanto tempo isso vai durar nem consegue impedir Deus de cuidar dos seus. “Um tempo, tempos e metade de um tempo” aponta para os três anos e meio associados a essa perseguição e, ao mesmo tempo, lembra que ela tem um limite estabelecido por Deus.