Significa que nem sempre a coisa certa é dizer o que pensamos, mas também nem sempre é ficar quietos. A sabedoria está em perceber o que aquela situação pede: nossas palavras vão ajudar ou machucar? Nosso silêncio vai demonstrar cuidado ou deixar alguém sem a ajuda de que precisa?
Eclesiastes 3 apresenta vários momentos diferentes da vida, como o tempo de chorar e o tempo de rir. Ao falar de silêncio e de palavras, o livro não dá uma regra do tipo “fale pouco em qualquer situação”. Ele nos lembra de que as duas atitudes podem ser apropriadas, dependendo do momento.
Há horas em que calar é um gesto de cuidado. Quando Jó sofreu perdas terríveis, seus amigos se sentaram com ele durante dias sem dizer nada, porque viram como sua dor era grande (Jó 2:11-13). Antes de tentar explicar o sofrimento de alguém, pode ser melhor ouvir e simplesmente estar presente. Também é sábio esperar quando estamos com raiva e corremos o risco de dizer algo que depois não poderemos retirar. Provérbios 10:19 alerta que falar demais aumenta a chance de pecar.
Mas o silêncio não é sempre uma virtude. Ester, por exemplo, soube que seu povo corria perigo. Falar com o rei poderia custar sua vida, mas ela decidiu agir em favor deles (Ester 4:13-16). Há momentos em que precisamos dizer a verdade, defender quem está sendo prejudicado, pedir perdão ou falar da nossa fé. Ficar calado por medo, nesses casos, pode significar deixar de fazer o bem. A Bíblia nos chama tanto a defender os oprimidos quanto a responder sobre nossa esperança com respeito (Isaías 1:17; 1 Pedro 3:15).
E não basta decidir se vamos falar. Importa também como vamos falar. Uma palavra verdadeira pode ser dita com dureza desnecessária; uma correção necessária pode ser feita com cuidado. Efésios 4:29 orienta os cristãos a usar palavras que ajudem quem as ouve, de acordo com a necessidade do momento.
Então, antes de falar, vale pensar: *Isso é verdade? Precisa ser dito agora? Estou dizendo de um jeito que pode ajudar?* E, antes de ficar calado: *Alguém precisa que eu diga alguma coisa?* É esse discernimento que Eclesiastes 3:7 nos convida a desenvolver.