Significa que há momentos de buscar a proximidade de alguém e momentos de respeitar a distância. O abraço pode expressar carinho, acolhimento ou reconciliação. Mas nem toda situação pede um abraço, e nem toda pessoa deseja ser abraçada.
Em Eclesiastes 3:1-8, o escritor coloca lado a lado experiências bem diferentes: nascer e morrer, chorar e rir, falar e ficar em silêncio. Ele está mostrando que a vida muda, e que não devemos agir do mesmo jeito em todas as circunstâncias. É nesse conjunto que aparece o “tempo de abraçar” e o “tempo de deixar de abraçar” (Eclesiastes 3:5).
Pense no reencontro de Jacó com seu irmão Esaú. Os dois tinham se separado depois de um conflito sério. Quando se encontraram novamente, Esaú abraçou Jacó (Gênesis 33:4). Ali, o abraço expressou acolhimento. Em outra situação, porém, alguém pode estar sofrendo, precisar de espaço ou simplesmente não querer contato físico. Respeitar isso também é uma forma de cuidado.
A frase pode incluir a intimidade entre marido e mulher, embora Eclesiastes não diga que está falando *apenas* disso. Paulo ensina que o casal não deve usar a recusa da intimidade como prática habitual, mas reconhece que os dois podem concordar em se abster por um tempo pra se dedicar à oração (1 Coríntios 7:3-5). Esse é um exemplo de como até uma proximidade boa tem seu momento apropriado.
O ponto principal, então, não é que exista uma regra dizendo quando abraçar e quando não abraçar. Eclesiastes nos convida a prestar atenção à situação e à pessoa diante de nós. Há hora em que o carinho se mostra chegando perto; há hora em que ele se mostra respeitando o espaço do outro.