Essa frase não promete que quem teme a Deus nunca vai sofrer. O próprio capítulo diz que uma pessoa justa pode morrer cedo, enquanto uma pessoa má pode viver muitos anos (Eclesiastes 7:15). O assunto aqui é outro: como viver com sabedoria quando a vida não acontece do jeito que esperamos.
Nos versículos anteriores, o autor faz dois alertas. Primeiro, ele diz pra pessoa não ser “justa demais” nem se achar sábia demais (Eclesiastes 7:16). Isso não é uma crítica a quem procura obedecer a Deus de todo o coração. É um alerta contra a atitude de quem confia tanto na própria justiça e sabedoria que pensa ter a vida sob controle. Afinal, fazer o que é certo não garante uma vida longa e sem dificuldades.
O segundo alerta vai na direção oposta: não se entregar à maldade nem agir como alguém sem juízo (Eclesiastes 7:17). O fato de pessoas más às vezes prosperarem não torna o mal um bom caminho.
Então vem o conselho do versículo 18: levar a sério os dois alertas. Quem teme a Deus não precisa se apoiar na própria bondade, como se pudesse exigir dele uma vida fácil; também não usa as injustiças da vida como desculpa pra fazer o mal. Temer a Deus é reconhecer quem ele é, confiar nele e dar importância ao que ele diz.
É nesse sentido que a pessoa “sai ilesa de tudo isto”: ela evita os erros dos quais o texto acabou de falar. Não se trata de ficar livre de toda dor ou de nunca cometer erros. Pouco adiante, Eclesiastes reconhece que ninguém faz sempre o bem sem pecar (Eclesiastes 7:20).
A ideia, portanto, não é “seja um pouco justo e um pouco mau”. É faça o que é certo diante de Deus, sem orgulho e sem achar que sua obediência obriga a vida a sair como você quer.