Significa que Jesus tratou o Pai com profunda reverência e se submeteu à vontade dele, mesmo quando isso lhe custou muito. Não significa que Jesus tivesse medo de Deus por ter feito algo errado. Ele nunca pecou. Também não significa que lhe faltasse confiança no Pai.
Hebreus 5:7 fala das orações intensas de Jesus durante sua vida na terra. O texto diz que ele clamou, chorou e orou àquele que podia livrá-lo da morte, e que foi ouvido por causa da sua reverência. A expressão traduzida por “temor piedoso” aponta pra essa atitude de respeito e submissão diante de Deus. É diferente do medo de alguém que espera ser castigado.
A oração de Jesus no Getsêmani ajuda a entender isso. Sabendo que sua morte estava próxima, ele pediu ao Pai que, se fosse possível, o poupasse daquele sofrimento. Mas também deixou claro que queria fazer a vontade do Pai, não a sua própria (Mateus 26:39). Jesus não fingiu que a dor não era terrível. Ele levou sua angústia ao Pai e continuou disposto a obedecer.
Mas, se Jesus pediu pra ser livrado da morte, como Hebreus pode dizer que sua oração foi ouvida, já que ele morreu na cruz? Ser ouvido não significa, necessariamente, receber exatamente aquilo que se pediu. Jesus não foi poupado da cruz, mas o Pai não o abandonou à morte: ele o ressuscitou (Atos 2:24). Assim, a oração de Jesus e a resposta de Deus precisam ser entendidas à luz de tudo o que aconteceu, não apenas do momento da crucificação.
Há ainda uma pergunta importante: se Jesus é o Filho de Deus, por que demonstrou esse temor reverente? Porque o Filho se tornou verdadeiramente humano. Em sua vida na terra, ele obedeceu ao Pai como Filho, inclusive diante do sofrimento. Hebreus 5:8–9 relaciona essa obediência ao caminho que Jesus percorreu até cumprir plenamente sua missão. Isso não quer dizer que ele antes fosse desobediente ou pecador. Quer dizer que sua obediência foi vivida até o fim, nas circunstâncias mais difíceis.
Portanto, o “temor piedoso” de Jesus não foi pânico diante de um Pai cruel. Foi a reverência de quem confiava no Pai e escolheu obedecer a ele mesmo em meio à angústia. Isso também nos ensina que sentir o peso de uma situação difícil não é o contrário da fé. Podemos falar com Deus com sinceridade e, como Jesus, continuar buscando a vontade dele.