A Teologia de New Haven é o nome dado às ideias defendidas por Nathaniel Taylor, professor de teologia em Yale, nos Estados Unidos, no século XIX. Ela também é chamada de *taylorismo*. Sua principal pergunta era: se Deus manda todas as pessoas se arrependerem, elas realmente podem responder a esse chamado?
Taylor ensinava que sim. Para entender por que isso causou tanta discussão, é preciso conhecer a posição da qual ele estava partindo. Na teologia calvinista tradicional, o pecado afetou a humanidade de tal maneira que ninguém se volta a Deus por conta própria. A pessoa precisa da ação do Espírito Santo para crer em Cristo. Essa visão procura levar a sério passagens como Efésios 2:1-5, que descreve nossa condição de pecado e atribui a Deus a iniciativa de nos dar vida.
Taylor concordava que as pessoas pecam e precisam da graça de Deus. Mas discordava de uma explicação comum entre calvinistas: a de que a culpa do pecado de Adão é atribuída a todos os seus descendentes e de que, por causa de uma natureza pecaminosa herdada, eles não podem escolher obedecer a Deus. Para Taylor, a culpa moral estava ligada às escolhas da própria pessoa. As pessoas vivem num mundo marcado pelo pecado e acabam pecando, mas, segundo ele, o mandamento de Deus para que se arrependam mostra que elas têm condições de responder.
Essa diferença tem consequências importantes. Se alguém diz que o pecador não consegue voltar-se pra Deus sem que o Espírito transforme seu coração, dá destaque à iniciativa de Deus na conversão. Taylor temia que essa maneira de falar fizesse o convite ao arrependimento parecer vazio. Por isso, dava mais destaque à responsabilidade da pessoa diante do evangelho. Isso não significa que ele considerasse a salvação uma conquista humana ou que dispensasse a ação do Espírito Santo. A discussão era sobre como a graça de Deus e a resposta humana se relacionam.
Essas ideias surgiram numa época de grandes reuniões de evangelização nos Estados Unidos, conhecida como o Segundo Grande Despertar. Muitos pregadores chamavam as pessoas a se arrepender e crer em Jesus. O ensino de Taylor dava uma explicação teológica pra esse chamado: ninguém deveria tratar a ordem de Deus para se arrepender como algo que pudesse simplesmente ignorar.
A Bíblia afirma claramente tanto a seriedade do pecado quanto a responsabilidade de responder a Deus. Romanos 3:23 ensina que todos pecaram; Atos 17:30 apresenta o chamado de Deus ao arrependimento; e Efésios 2:8-9 atribui a salvação à graça, não ao mérito humano. O ponto discutido é como juntar essas verdades: o que o pecado fez com nossa capacidade de responder, e de que maneira o Espírito Santo nos capacita a crer? Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia dão respostas diferentes a essas perguntas.
Então, em poucas palavras, a Teologia de New Haven foi uma tentativa de reformular aspectos do calvinismo para dar mais destaque à escolha e à responsabilidade de cada pessoa diante do evangelho. Ela não é uma doutrina central compartilhada por todos os cristãos, mas uma posição histórica dentro de um debate maior sobre pecado, graça e liberdade humana.