O swedenborgianismo é um movimento religioso baseado nos escritos de Emanuel Swedenborg, um sueco que viveu entre 1688 e 1772. Ele dizia ter recebido revelações sobre Deus, a Bíblia e a vida depois da morte. Seus seguidores formaram igrejas a partir do fim do século 18, algumas chamadas de Nova Igreja ou Igreja da Nova Jerusalém.
A dúvida principal é: se esse movimento fala de Jesus e usa a Bíblia, por que suas crenças são diferentes das do cristianismo histórico? A resposta está na maneira como Swedenborg interpretava a Bíblia. Ele afirmava que muitas passagens tinham um sentido espiritual mais profundo, que havia sido revelado a ele. Com base nisso, chegou a conclusões que se afastam de ensinamentos centrais da fé cristã.
Uma dessas diferenças diz respeito a quem Deus é. O cristianismo histórico ensina que há um só Deus e que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são distintos entre si e plenamente divinos. Swedenborg também afirmava que Deus é um só e falava do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mas não os entendia como três pessoas distintas: para ele, a Trindade se encontrava em uma única pessoa, Jesus Cristo. Portanto, seria impreciso dizer simplesmente que seus seguidores não creem em Deus ou em Jesus. A diferença está no que entendem por Trindade. Passagens como Mateus 3:16-17, em que o Pai fala, o Filho é batizado e o Espírito desce sobre ele, ajudam a mostrar por que os cristãos históricos fazem essa distinção.
Outra diferença importante está na morte de Jesus. O Novo Testamento ensina que Cristo morreu pelos nossos pecados: ele levou nossos pecados sobre si, e é por meio dele que recebemos perdão (1 Pedro 2:24; 1 João 2:2). Swedenborg rejeitava a ideia de que Jesus morreu em nosso lugar para satisfazer a justiça de Deus. Ele explicava a obra de Jesus principalmente como uma vitória sobre o mal e um meio de tornar possível nossa transformação. A vida transformada importa muito na Bíblia, mas, segundo o Novo Testamento, ela não substitui aquilo que Cristo fez por nós (Efésios 2:8-10).
O movimento também ensina que pessoas de outras religiões podem ser salvas se viverem conforme a verdade que conhecem e praticarem o bem. Isso não significa que Swedenborg considerava todas as crenças iguais. Ainda assim, é uma visão diferente da afirmação do Novo Testamento de que a salvação vem por meio de Jesus Cristo (João 14:6; Atos 4:12).
Por fim, Swedenborg descrevia a vida após a morte como uma existência espiritual ligada ao caráter que a pessoa formou nesta vida. Já a esperança cristã inclui a ressurreição do corpo, não apenas a continuação da alma depois da morte (1 Coríntios 15:42-44; Romanos 8:11).
Então, o swedenborgianismo não é apenas outra denominação cristã com costumes diferentes. É um movimento que usa a Bíblia e fala de Jesus, mas interpreta de outra maneira questões centrais como a Trindade, a salvação, a morte de Cristo e a ressurreição. Por isso, suas crenças não correspondem às do cristianismo histórico.