Ela mesma explica o motivo: passou muito tempo trabalhando ao sol. Em Cantares 1:6, a mulher pede que as outras não fiquem olhando pra sua pele e conta que seus irmãos a colocaram pra cuidar das vinhas. O sol a havia queimado.
Isso ajuda a entender a preocupação dela. Sua pele mostrava que ela trabalhava ao ar livre, e ela parecia recear que as outras mulheres a julgassem por sua aparência. Mas ela não diz que deixou de ser bonita. No versículo anterior, afirma que é escura e bela (Cantares 1:5). Ela reconhece a própria beleza, mesmo se sentindo observada.
Às vezes surge outra pergunta: essa passagem indica que ela era africana? Não dá pra saber. O texto não informa sua origem étnica nem diz qual era sua cor de pele antes de trabalhar nas vinhas. O que ele afirma com clareza é que o sol escureceu sua pele. Por isso, não precisamos escolher entre negar que ela pudesse ter a pele naturalmente escura e afirmar uma origem que a Bíblia não revela.
O ponto da passagem é simples e bonito: ela tinha uma insegurança ligada à própria aparência, mas isso não apagava sua beleza nem o amor descrito no poema. Cantares nos deixa ouvir a voz dela — inclusive quando fala daquilo que temia que os outros notassem.