Se alguém disser que quer morrer, ou der a entender que pode tirar a própria vida, leve isso a sério e fique perto dessa pessoa. Você não precisa descobrir sozinho o que dizer pra resolver a dor dela. O mais importante, nesse momento, é ajudá-la a ficar em segurança e chegar até quem pode cuidar dela.
Pergunte com calma e de forma direta: “Você está pensando em se matar?” Se a resposta for sim, pergunte se ela pensou em como faria isso, se tem acesso ao que pretende usar e se pensa em fazer isso em breve. Essas perguntas não colocam a ideia na cabeça de ninguém. Elas ajudam você a entender o perigo e a buscar a ajuda certa.
Se houver risco de ela agir agora, não a deixe sozinha. No Brasil, ligue para o SAMU pelo 192 ou leve a pessoa a um pronto-socorro. Se for necessário pedir socorro imediato e não houver outra forma, ligue 190. Se você estiver longe, peça o endereço dela e acione alguém de confiança que possa ir até lá, além do serviço de emergência. Quando for seguro fazer isso, afaste medicamentos, armas ou outros meios que ela possa usar. Não prometa guardar segredo: proteger a vida dela é mais importante.
Mesmo que ela diga que não pretende agir naquele momento, ajude-a a procurar atendimento médico e de saúde mental o quanto antes. Você pode se oferecer pra acompanhá-la, ajudá-la a marcar a consulta e combinar quem ficará por perto nos próximos dias. O CVV atende pelo 188, gratuitamente, e pode oferecer escuta; em uma emergência, porém, ele não substitui o atendimento de urgência.
Enquanto você está com ela, escute mais do que fala. Uma resposta simples pode ser: “Sinto muito que esteja tão difícil. Obrigado por me contar. Vou ficar com você e vamos buscar ajuda juntos.” Evite dizer “anime-se”, comparar a dor dela com a de outras pessoas ou discutir se ela deveria se sentir assim. Pensamentos suicidas podem aparecer em meio a uma depressão ou a outras situações de sofrimento intenso, e a pessoa precisa de cuidado, não de vergonha.
A fé também tem lugar nesse cuidado. A Bíblia não trata a angústia como algo que deve ser escondido. Elias, por exemplo, chegou a pedir a morte; Deus cuidou dele, deu-lhe descanso e alimento e o ajudou a seguir adiante (1 Reis 19:4-8). Isso nos ensina a não tratar o sofrimento de alguém como falta de fé que se resolve com uma bronca. Você pode orar com a pessoa, se ela quiser, e lembrá-la de que ela não precisa enfrentar tudo sozinha. Mas oração e apoio espiritual não substituem tratamento médico e psicológico.
Ajudar é estar presente, levar o perigo a sério e chamar outras pessoas capazes de cuidar. Você não tem como controlar sozinho as decisões de alguém nem deve carregar sozinho essa responsabilidade. Por isso, envolva profissionais e pessoas de confiança. Buscar ajuda agora pode fazer toda a diferença.