Significa deixar de agir como se a nossa vontade fosse sempre a mais importante. Paulo está ensinando os cristãos a tratar uns aos outros com respeito, humildade e disposição pra servir, por respeito a Cristo. Isso não quer dizer concordar com tudo nem obedecer a qualquer pessoa em qualquer situação.
O contexto ajuda a entender. Pouco antes, Paulo diz que os cristãos devem ser cheios do Espírito (Efésios 5:18). Em seguida, fala de adorar a Deus, agradecer a ele e submeter-se uns aos outros (Efésios 5:19-21). Ou seja, essa atitude faz parte de uma vida guiada pelo Espírito. A expressão “no temor de Cristo” fala do respeito que temos por Jesus e da vontade de agradá-lo. Não nos colocamos à disposição dos outros porque eles nunca erram ou porque sempre merecem; fazemos isso porque seguimos a Cristo.
Paulo explica essa atitude de outra maneira em Filipenses 2:3-4: em vez de agir por orgulho ou interesse próprio, devemos considerar os outros e prestar atenção também às necessidades deles. O exemplo maior é o próprio Jesus. Ele tinha toda a autoridade, mas não usou sua posição pra buscar vantagens pessoais. Humilhou-se e entregou a vida por nós (Filipenses 2:5-8). Segui-lo inclui perguntar, nas situações do dia a dia: “Estou pensando só no que eu quero ou também no bem da outra pessoa?”
Depois de Efésios 5:21, Paulo aplica esse ensino à vida em família e aos relacionamentos sociais do seu tempo. Ele dá orientações diferentes a esposas e maridos, filhos e pais, escravos e senhores (Efésios 5:22–6:9). Por isso, submissão mútua não significa que todos tenham exatamente o mesmo papel ou que devam obedecer uns aos outros da mesma forma. Significa que ninguém tem licença pra agir com egoísmo. Aos maridos, por exemplo, Paulo manda amar suas esposas com o cuidado sacrificial de Cristo, e não usar sua posição pra exigir o próprio benefício (Efésios 5:25-29).
Também é importante não confundir submissão com aceitar abuso. O chamado pra servir ao outro não dá a ninguém o direito de controlar, humilhar ou machucar outra pessoa. E o fato de Paulo dirigir instruções a escravos e senhores no mundo antigo não torna a escravidão equivalente a um emprego nem justifica essa prática.
Em resumo, submeter-se uns aos outros é viver os relacionamentos com a humildade que aprendemos com Jesus: ouvir, considerar o bem do outro, abrir mão do egoísmo e usar o que temos — inclusive nossa autoridade, quando a temos — pra cuidar, não pra dominar.