Porque Jesus acabara de dizer, durante a ceia, que um dos doze o trairia. A notícia os deixou profundamente tristes. Então, um por um, perguntaram se ele estava falando deles (Mateus 26:20-22). A pergunta tinha o sentido de “Não sou eu, sou?”. Eles não estavam confessando uma intenção de trair Jesus; estavam reagindo, assustados, a algo que não esperavam ouvir.
Judas, porém, estava numa situação diferente. Ele já tinha combinado com os chefes dos sacerdotes que entregaria Jesus e procurava uma oportunidade pra fazer isso (Mateus 26:14-16). Quando Judas também perguntou se era ele, não podia alegar que desconhecia o próprio plano. Jesus respondeu de um modo que confirmou que sabia o que Judas faria (Mateus 26:25).
É importante não confundir duas coisas. Judas traiu Jesus de forma planejada, entregando-o às autoridades. Os outros discípulos não fizeram isso. Mais tarde, porém, quando Jesus foi preso, todos fugiram e o abandonaram, como ele também havia anunciado (Mateus 26:31, 56). A pergunta deles naquela noite não prova que já pensavam em fugir. O relato mostra, antes, como a notícia da traição os entristeceu.
O que aconteceu depois também mostra que Jesus conhecia a fraqueza dos discípulos melhor do que eles mesmos. Ele avisou que se afastariam, mas também disse que, após ressuscitar, se encontraria com eles na Galileia (Mateus 26:31-32). Eles falhariam, mas Jesus não deixaria de chamá-los pra perto.