Deus usou sonhos e visões para falar com pessoas em momentos importantes da história bíblica. Às vezes, ele avisou sobre um perigo. Em outras ocasiões, fez uma promessa, mostrou o que aconteceria ou orientou alguém sobre o que fazer. A diferença mais simples é que o sonho acontece durante o sono; a visão é uma experiência em que a pessoa vê algo enquanto está acordada, embora a Bíblia nem sempre descreva essas experiências em detalhes.
Essas mensagens não eram dadas apenas a profetas ou a pessoas que já conheciam a Deus. Abimeleque, por exemplo, recebeu um aviso em sonho de que Sara era casada com Abraão. Assim, Deus impediu que ele se envolvesse com ela e protegeu Sara (Gênesis 20:1-7). Já Jacó sonhou com anjos subindo e descendo entre a terra e o céu. Naquele sonho, Deus lhe confirmou a promessa que havia feito a Abraão: sua família teria uma terra e se tornaria numerosa (Gênesis 28:10-17).
Os sonhos de José mostram outra maneira como Deus agiu. Quando jovem, José sonhou que sua família se curvaria diante dele. Anos depois, preso no Egito, ele explicou os sonhos de dois homens que estavam na prisão e, mais tarde, os sonhos do faraó. José deixou claro que a capacidade de dar a interpretação vinha de Deus, não dele. Os sonhos do faraó anunciavam anos de fartura seguidos por uma fome severa. Ao entender o aviso, o Egito pôde armazenar alimento, e muitas pessoas foram preservadas, inclusive a família de José (Gênesis 37; 40–41; 45:5-7).
Deus também usou sonhos e visões para orientar seus servos quando eles não tinham como saber, por conta própria, o que deveriam fazer. Salomão recebeu em sonho a oportunidade de pedir algo a Deus e pediu sabedoria para governar (1 Reis 3:5-12). Séculos depois, um anjo apareceu em sonho a José, marido de Maria, e lhe explicou que a criança que ela esperava havia sido concebida pelo Espírito Santo. Mais tarde, outro sonho o alertou para levar Maria e Jesus ao Egito, por causa da ameaça de Herodes (Mateus 1:18-25; 2:13-15).
No começo da igreja, algumas visões ajudaram os seguidores de Jesus a entender e cumprir uma tarefa difícil. Ananias recebeu a orientação de procurar Saulo, que havia perseguido os cristãos (Atos 9:10-19). Cornélio recebeu a instrução de chamar Pedro; Pedro, por sua vez, teve uma visão que o preparou para ir à casa daquele homem, que não era judeu. O resultado mostrou algo decisivo: Deus também acolhia pessoas de outros povos que criam em Jesus (Atos 10). Em outra ocasião, uma visão levou Paulo e seus companheiros a anunciar o evangelho na Macedônia (Atos 16:9-10).
Algumas visões tinham um alcance ainda maior. Daniel recebeu revelações sobre reinos e acontecimentos futuros, e João registrou no Apocalipse a visão que recebeu a respeito de Cristo, da igreja, do juízo e da vitória final de Deus. Essas passagens exigem cuidado: nem todo detalhe simbólico é explicado no próprio texto, e não devemos fingir certeza onde a Bíblia não a dá.
Isso significa que todo sonho de hoje é uma mensagem de Deus? Não. A Bíblia registra ocasiões em que Deus falou por sonhos e visões, mas não ensina que devemos tratar qualquer sonho como uma revelação. Sobre a possibilidade de Deus ainda agir dessa maneira, cristãos que levam a Bíblia a sério têm opiniões diferentes. O ponto seguro é este: nenhuma experiência pessoal deve se colocar acima do ensino das Escrituras. Se precisamos tomar uma decisão, devemos buscar a orientação que Deus já nos deu na Bíblia, orar e agir com sabedoria — não esperar que um sonho decida por nós.