Paulo não estava dizendo que sofrer é fácil ou que a dor de hoje não importa. Ele sabia o que era passar por dificuldades. O que ele afirma em Romanos 8:18 é que o sofrimento que enfrentamos agora não se compara com aquilo que Deus ainda vai fazer por seus filhos. A dor é real, mas não será o fim da história.
Pra entender essa esperança, é bom olhar os versículos seguintes. Paulo diz que a criação inteira sofre os efeitos de um mundo marcado pelo pecado e pela morte. Nós também sentimos esses efeitos. Mesmo quem pertence a Cristo ainda adoece, perde pessoas queridas e enfrenta outras dores. A fé não nos tira imediatamente dessa realidade.
Mas Deus prometeu mudá-la. Em Romanos 8:23, Paulo diz que aguardamos a redenção do nosso corpo. Já somos filhos de Deus, mas ainda esperamos o dia em que tudo o que ele prometeu aos seus filhos estará completo. A morte não terá mais poder sobre nós, e a própria criação será libertada da corrupção (Romanos 8:21-23). É por isso que Paulo compara a espera às dores de um parto: elas são intensas, mas não duram para sempre e antecedem algo novo.
Essa esperança não exige que a pessoa finja estar bem. Paulo diz que nós gememos enquanto esperamos. Logo depois, ele acrescenta que o Espírito Santo nos ajuda em nossa fraqueza, até quando não sabemos como orar (Romanos 8:26). Podemos, portanto, falar com Deus com sinceridade sobre o que estamos vivendo.
Também não precisamos acreditar que cada sofrimento tem uma explicação que conseguimos descobrir. Romanos 8 não promete respostas imediatas pra todas as nossas perguntas. Ele nos dá uma certeza maior: Deus não abandonará os que pertencem a Cristo. Um dia, a vida que ele prometeu será plenamente nossa, e a dor e a morte terão fim (Apocalipse 21:4). É nessa comparação entre o sofrimento de agora e o futuro que Deus prometeu que as palavras de Paulo fazem sentido.