Não dá pra afirmar isso. Apocalipse 13 diz que pessoas sem a marca da besta não poderão comprar nem vender. Mas o texto não diz que o dinheiro vivo deixará de existir, nem explica qual meio de pagamento será usado (Apocalipse 13:16-17).
É fácil entender por que essa ligação é feita. Se todas as compras dependerem de pagamentos eletrônicos, uma autoridade poderá acompanhar transações e impedir alguém de usar o sistema. Isso pode facilitar o controle das pessoas. Ainda assim, uma sociedade sem dinheiro vivo não é necessária para que alguém seja impedido de trabalhar ou negociar. Ao longo da história, autoridades e grupos já fizeram isso por meio de proibições, ameaças e punições, mesmo quando as pessoas usavam moedas e cédulas.
Há outro ponto importante: em Apocalipse 13, a marca aparece ligada à lealdade à besta e à adoração exigida por ela (Apocalipse 13:12-17). Por isso, não é correto tratar um cartão, um aplicativo ou um pagamento digital como se fosse, por si só, a marca da besta. Cristãos entendem de maneiras diferentes como essa passagem se cumprirá, mas o texto não identifica uma tecnologia de pagamento.
A expressão “últimos dias” também não depende do surgimento de uma novidade tecnológica. No dia de Pentecostes, Pedro explicou o derramamento do Espírito Santo usando uma profecia que fala dos últimos dias (Atos 2:16-17). Ou seja, o Novo Testamento já apresentava aquele período da história, iniciado com a vinda de Jesus, como os últimos dias.
Então, uma sociedade sem dinheiro vivo pode trazer preocupações legítimas sobre vigilância e abuso de poder. O que ela não faz é provar que Apocalipse 13 está se cumprindo agora ou marcar uma data pra volta de Jesus. A Bíblia nos chama a permanecer fiéis a Cristo e vigilantes, não a transformar cada mudança na forma de pagar em um sinal certo do fim (Mateus 24:36, 42).