Sionismo é, em termos gerais, o movimento que defende a existência de um lar nacional para o povo judeu na terra de Israel. Sionismo cristão é o apoio de cristãos a essa ideia, geralmente porque entendem que as promessas de Deus a Israel na Bíblia continuam relacionadas àquela terra. Os dois têm pontos em comum, mas não são a mesma coisa: o primeiro é um movimento nacional judaico; o segundo é uma maneira cristã de interpretar a Bíblia e, muitas vezes, de se posicionar diante do Estado de Israel.
O nome vem de Sião, uma palavra que na Bíblia se refere a Jerusalém e, em alguns contextos, ao povo ou à terra de Israel. A ligação do povo judeu com aquela terra é antiga e aparece nas Escrituras. Em Gênesis 12, 15 e 17, Deus promete a Abraão uma terra para seus descendentes. Essas passagens são importantes pra entender por que muitos judeus e cristãos veem Israel como mais do que um lugar escolhido por conveniência.
Mas o sionismo moderno surgiu muito depois dos tempos bíblicos, no fim do século 19. Judeus de diferentes convicções — inclusive judeus que não eram religiosos — passaram a defender um lar nacional, em parte por causa do antissemitismo que enfrentavam em vários países. Por isso, não dá pra explicar o movimento apenas como uma resposta ao Holocausto, que aconteceu décadas depois. O Holocausto tornou a necessidade de segurança para os judeus ainda mais urgente, mas o movimento sionista já existia antes dele.
Em 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas recomendou a divisão do território então administrado pelo Reino Unido em dois Estados, um judeu e outro árabe. Em 1948, líderes judeus declararam a independência do Estado de Israel. Não foi a ONU que simplesmente criou o país ou lhe concedeu soberania. A criação de Israel também não encerrou todas as questões ligadas ao sionismo: o significado do movimento, as políticas do Estado e os direitos de judeus e palestinos continuam sendo assuntos debatidos.
E onde entra o sionismo cristão? Alguns cristãos leem as promessas feitas a Abraão e textos como Jeremias 32 e Ezequiel 36–37 e concluem que Deus ainda tem propósitos específicos para o povo judeu na terra de Israel. Muitos deles veem o retorno de judeus àquela terra e a formação do Estado de Israel como acontecimentos ligados às profecias bíblicas. Entre os cristãos que pensam assim, alguns também entendem esses acontecimentos como sinais relacionados à volta de Cristo.
Outros cristãos, igualmente comprometidos com a autoridade da Bíblia, entendem essas passagens de outra maneira. Eles destacam que o Novo Testamento apresenta Jesus como aquele em quem as promessas de Deus se cumprem e não consideram possível identificar, com certeza, o Estado moderno de Israel como cumprimento direto de uma profecia específica. Essa é uma diferença real de interpretação entre cristãos; não é preciso tratá-la como se a Bíblia dissesse expressamente a data ou a forma de um Estado moderno.
Há ainda uma distinção essencial: reconhecer a importância bíblica de Israel não significa aprovar automaticamente tudo o que seu governo faz. Da mesma forma, discordar de uma política do governo israelense não é, por si só, antissemitismo. Cristãos podem ter interpretações diferentes sobre as profecias e posições diferentes sobre decisões políticas. Em qualquer caso, o cuidado com a verdade e com a vida das pessoas deve incluir tanto judeus quanto palestinos.
Assim, a resposta mais simples é esta: o sionismo defende um lar nacional judeu em Israel; o sionismo cristão apoia essa ideia por razões ligadas à interpretação da Bíblia. Pra entender o assunto com clareza, é importante não confundir três coisas: as promessas bíblicas a Israel, o movimento político moderno e as decisões de um governo atual.