Com respeito, paciência e amizade, como trataria qualquer outra pessoa. A síndrome de Tourette pode causar movimentos ou sons repetidos, chamados *tiques*, que a pessoa não consegue controlar facilmente. Alguns tiques chamam atenção; outros quase passam despercebidos. Eles não dizem quem a pessoa é nem justificam tratá-la como alguém de quem se deve manter distância.
Isso também vale se um tique envolver uma palavra ofensiva. É natural se assustar ou ficar desconfortável, mas convém não presumir que a pessoa quis ofender. A emissão involuntária de palavrões pode acontecer, embora não seja comum entre pessoas com Tourette. Se houver dúvida sobre o que aconteceu, é melhor conversar com calma do que tirar conclusões sobre o caráter dela.
A Bíblia dá uma direção simples pra nossa atitude: tratar os outros como gostaríamos de ser tratados (Lucas 6:31). E lembra que todo ser humano foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Por isso, não cabe ao cristão ridicularizar os tiques, imitar a pessoa, excluí-la ou atribuir a síndrome a uma falha espiritual ou à possessão demoníaca. Tourette é uma condição de saúde; um tique não é, por si só, prova de que alguém escolheu fazer algo errado.
Na prática, muitas vezes o melhor é continuar a conversa normalmente, sem chamar atenção pra cada tique. Se a pessoa quiser explicar o que acontece ou disser que precisa de alguma ajuda, escute e respeite o que ela pedir. Não é necessário fazer da síndrome o assunto principal de toda interação.
Também podemos orar com ela, se desejar, e oferecer o apoio que oferecemos a qualquer irmão ou amigo. As Escrituras podem trazer consolo e força em momentos difíceis (Hebreus 13:5), mas não devemos prometer que ler a Bíblia ou ter mais fé fará os tiques desaparecerem. Buscar acompanhamento de saúde não é falta de fé.
No fim, a pergunta mais útil não é apenas “como reagir ao tique?”, mas “como tratar bem esta pessoa?”. A resposta cristã é vê-la como alguém digno de respeito, ouvi-la e não deixar que uma condição de saúde impeça uma amizade sincera.