Jesus usa essa expressão em duas mensagens dirigidas a igrejas do primeiro século: uma em Esmirna e outra em Filadélfia (Apocalipse 2:9; 3:9). Ele está falando de pessoas que se apresentavam como judias e se opunham aos cristãos daquelas cidades. Em Esmirna, Jesus menciona as acusações que faziam contra a igreja. Em Filadélfia, ele promete que os opositores um dia reconheceriam que ele amava aquela comunidade.
A expressão é forte, mas não significa que todos os judeus fossem seguidores de Satanás, nem autoriza chamar uma sinagoga de hoje por esse nome. Jesus fala de grupos ligados a situações concretas vividas por aquelas duas igrejas.
A parte que costuma causar mais dúvida é esta: por que Jesus diz que essas pessoas afirmavam ser judias, mas não eram? O texto não exige que a gente negue a origem judaica delas. A questão é espiritual. Elas se identificavam com o povo de Deus, mas rejeitavam Jesus e atacavam pessoas que o seguiam. Por isso, Jesus contesta a ideia de que sua identidade religiosa, por si só, provava que estavam agindo de acordo com a vontade de Deus. Paulo faz uma distinção parecida ao ensinar que pertencer ao povo de Deus não é apenas uma questão de descendência ou de sinais externos; importa também a relação da pessoa com Deus (Romanos 2:28-29; 9:6).
E por que “de Satanás”? No Apocalipse, Satanás é o adversário que se opõe ao povo de Deus. Ao acusar e combater aquelas igrejas, esses grupos estavam agindo como adversários delas. Jesus usa a expressão pra mostrar a gravidade daquela oposição, não pra dar aos cristãos permissão pra odiar judeus.
O que Jesus diz em seguida também importa. Ele não manda as igrejas se vingarem. À igreja de Esmirna, que sofria, ele pede fidelidade mesmo diante da perseguição (Apocalipse 2:10). À de Filadélfia, promete que seus opositores reconheceriam que ele a amava (Apocalipse 3:9). A segurança dessas comunidades não dependia da aprovação de quem as acusava, mas do próprio Cristo.
Portanto, “sinagoga de Satanás” é a maneira como Jesus descreve opositores específicos das igrejas de Esmirna e Filadélfia. Tirar a expressão desse contexto pra atacar o povo judeu, no passado ou hoje, é dar à passagem um sentido que ela não tem.