A palavra “igreja” se refere, antes de tudo, a pessoas, não a um prédio. No Novo Testamento, ela traduz a palavra grega *ekklesia*, usada para falar de uma assembleia, uma comunidade reunida. Em português, “igreja” chegou até nós pelo latim *ecclesia*, que veio desse termo grego.
A palavra *ekklesia* não era usada apenas para reuniões religiosas. Em Atos 19:32-41, por exemplo, ela aparece numa cena em que uma multidão se reúne na cidade de Éfeso. O que torna a igreja cristã especial, portanto, não é a palavra em si, mas quem são as pessoas reunidas e a quem elas pertencem.
Quando Jesus diz que edificará sua igreja (Mateus 16:18), ele está falando da comunidade de pessoas que serão dele, não da construção de um templo. Paulo também escreve à “igreja” de uma cidade (1 Coríntios 1:2) e menciona uma igreja que se reunia na casa de alguém (Romanos 16:5). Isso mostra bem a diferença: a igreja era o grupo de cristãos; a casa era o lugar onde eles se encontravam.
Às vezes se explica *ekklesia* como “os chamados para fora”, por causa das partes que formam a palavra grega. Essa explicação pode lembrar uma verdade bíblica — Deus chama pessoas pra pertencerem a ele —, mas o sentido da palavra no uso comum era “assembleia” ou “reunião”. Não precisamos tirar toda a definição de igreja da origem das partes da palavra.
Hoje é normal dizer “vou à igreja” pensando no prédio. Esse uso não está errado na conversa do dia a dia. Mas, quando a Bíblia fala da igreja como comunidade de Cristo, o ponto principal são as pessoas que creem nele. Elas continuam sendo igreja quando a reunião termina e vão embora do prédio.