Depende do que a pessoa quer dizer com essas expressões. Às vezes, “sexto sentido” é só um jeito de falar de uma intuição: você percebe que algo está errado, mesmo sem conseguir explicar na hora o que notou. A Bíblia não condena isso. Perceber sinais, lembrar de experiências passadas e agir com prudência não é o mesmo que ter acesso ao mundo espiritual.
Já “terceiro olho” costuma ser usado pra falar de uma suposta capacidade de enxergar realidades espirituais ocultas. Nesse sentido, a Bíblia não ensina que existe uma capacidade espiritual escondida em nós que devemos despertar. E, quando alguém procura médiuns, adivinhos ou práticas pra entrar em contato com os mortos, a orientação bíblica é clara: não faça isso. Deus proibiu seu povo de recorrer a essas práticas (Deuteronômio 18:10-12; Levítico 19:31). Em vez de consultar os mortos, o povo deveria buscar a orientação do próprio Deus (Isaías 8:19).
Isso não significa que toda pessoa que conta uma experiência estranha esteja mentindo, nem que possamos dizer com certeza o que aconteceu em cada caso. Pode haver engano, uma explicação natural que a pessoa desconhece ou uma questão espiritual. A Bíblia não nos dá base pra diagnosticar automaticamente cada relato como ação demoníaca. Ela nos dá, sim, uma direção segura: não buscar contato com os mortos nem confiar em alguém que promete revelar mensagens ocultas por esse caminho.
Há uma diferença importante aqui. A Bíblia relata que Deus, em certas ocasiões, mostrou a pessoas coisas que elas não poderiam saber por meios comuns. Mas isso não aconteceu porque elas aprenderam a abrir um “terceiro olho”. Foi Deus quem tomou a iniciativa. Da mesma forma, o Novo Testamento fala de dons concedidos pelo Espírito Santo, não de poderes que alguém descobre dentro de si por meio de uma técnica (1 Coríntios 12:4-11).
Para o cristão, ter o Espírito Santo também não significa ganhar um “sexto sentido” infalível. Significa pertencer a Cristo e contar com a ajuda de Deus pra viver segundo a verdade (Romanos 8:9-11). Por isso, impressões e experiências pessoais não devem ser aceitas sem exame. A Bíblia nos orienta a avaliar o que se apresenta como espiritual (1 João 4:1).
Então, a resposta é esta: intuição não é, por si só, um problema bíblico; buscar uma suposta visão espiritual oculta ou contato com os mortos, sim. Em vez de tentar descobrir o que Deus não nos chamou a procurar, podemos falar com ele em oração, conhecer sua Palavra e pedir sabedoria pra lidar com aquilo que não entendemos (Tiago 1:5).