Pastor Antônio Junior

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O que são os “setenta setes” de Daniel 9?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Os “setenta setes” são setenta períodos de sete anunciados a Daniel para falar do futuro de Jerusalém e do povo de Israel (Daniel 9:24-27). A explicação mais comum entende cada período como sete anos. Nesse caso, o anúncio abrange 490 anos. Mas o ponto principal não é fazer uma conta: é entender o que Deus estava dizendo a Daniel sobre a restauração do seu povo, a vinda do Ungido e o fim do pecado.

Daniel tinha acabado de ler a profecia de Jeremias sobre os setenta anos de desolação de Jerusalém (Jeremias 25:11-12; Daniel 9:2). Por isso, ele orou, confessou os pecados do povo e pediu que Deus tivesse misericórdia da cidade. A resposta veio por meio do anjo Gabriel. Em vez de falar apenas do fim daqueles setenta anos, Gabriel anunciou “setenta setes” determinados para o povo de Daniel e para Jerusalém.

Por que entender esses setes como anos? A passagem não diz, com todas as letras, “setes de anos”. Ainda assim, Daniel estava pensando em anos, e o anúncio trata de acontecimentos que se estenderiam por muito tempo: a reconstrução da cidade, a vinda do Ungido e acontecimentos posteriores a ela. Assim, entender os setes como grupos de sete anos faz sentido no contexto, embora os detalhes da contagem sejam discutidos.

Gabriel divide o período em sete setes, sessenta e dois setes e um sete final. Se cada sete representa sete anos, as duas primeiras partes somam 483 anos. O anúncio começa com uma ordem para restaurar e reconstruir Jerusalém. Depois desse período, aparece o “Ungido”, também chamado de “Príncipe”. “Ungido” é o sentido da palavra *Messias*; em grego, *Cristo* tem o mesmo sentido.

Daniel 9:26 diz que, depois dos sessenta e dois setes, o Ungido seria eliminado. Os cristãos entendem essa passagem à luz da morte de Jesus. O texto também anuncia que a cidade e o santuário seriam destruídos. Isso lembra a destruição de Jerusalém e do templo pelos romanos, no ano 70 d.C. É importante notar a ordem do anúncio: o Ungido é eliminado, e a destruição da cidade é mencionada em seguida.

O último sete é a parte mais debatida. A passagem fala de uma aliança, da interrupção dos sacrifícios e de algo que causa devastação. Alguns cristãos entendem que esse último período ainda será cumprido no futuro. Outros relacionam esses acontecimentos à obra de Jesus e aos acontecimentos que levaram à destruição do templo. Há argumentos apresentados para essas leituras, mas Daniel 9, sozinho, não resolve todos os detalhes com a clareza necessária para tratar uma delas como indiscutível.

Pelo mesmo motivo, é bom ter cuidado com a afirmação de que podemos calcular, a partir dessa profecia, o dia exato da morte de Jesus. Há mais de uma proposta para identificar a ordem que inicia a contagem, e as datas antigas e os calendários exigem escolhas que o texto não especifica. Usar anos de 360 dias é uma dessas escolhas; não é uma regra dada por Daniel. A relação entre a profecia e Jesus é importante para a leitura cristã, mas não precisa depender de uma conta apresentada como se fosse incontestável.

No começo do anúncio, Gabriel diz para que servem os setenta setes: tratar do pecado e estabelecer uma justiça duradoura (Daniel 9:24). Daniel pedia a restauração de Jerusalém; a resposta apontava para algo maior do que reconstruir uma cidade. Para os cristãos, Jesus, o Ungido que morreu pelos pecados e ressuscitou, é central para entender essa promessa. Os “setenta setes”, portanto, anunciam um período determinado por Deus para cumprir seus propósitos para o seu povo — ainda que a maneira exata de encaixar cada acontecimento nessa contagem continue sendo discutida.