As sete trombetas são uma série de visões em que anjos anunciam juízos de Deus. Elas aparecem em Apocalipse 8 a 11. A imagem da trombeta ajuda a entender o sentido: assim como uma trombeta podia anunciar um acontecimento importante, cada toque avisa que algo grave está acontecendo e chama a atenção das pessoas para Deus.
João vê os anjos receberem as trombetas depois da abertura do sétimo selo (Apocalipse 8:1-6). Nas quatro primeiras, os danos atingem a terra, o mar, as fontes de água e a luz do sol, da lua e das estrelas. Nas duas seguintes, o sofrimento atinge diretamente as pessoas. A sétima anuncia que o governo de Deus e de Cristo prevalecerá. Vamos por partes.
A primeira trombeta traz granizo e fogo misturados com sangue. Um terço das árvores é queimado, assim como toda a vegetação verde mencionada na visão (Apocalipse 8:7). A cena lembra uma das pragas que Deus enviou ao Egito, embora não seja idêntica a ela (Êxodo 9:23-24).
Na segunda, algo parecido com uma grande montanha em chamas é lançado ao mar. Um terço do mar se torna sangue, um terço dos seres vivos nele morre e um terço dos navios é destruído (Apocalipse 8:8-9).
A terceira trombeta atinge as águas de rios e fontes. João vê cair uma estrela chamada Absinto, e as águas afetadas se tornam amargas, causando muitas mortes (Apocalipse 8:10-11). O nome combina com o efeito descrito: água que deveria sustentar a vida passa a causar sofrimento.
Na quarta, um terço do sol, da lua e das estrelas é atingido, e a luz diminui (Apocalipse 8:12). Depois disso, João ouve um aviso de que as três trombetas restantes trarão sofrimentos ainda mais graves (Apocalipse 8:13). Por isso, elas também são chamadas de “três ais”.
Na quinta trombeta, uma estrela que caiu recebe a chave do poço do abismo. Quando ele é aberto, saem criaturas que João descreve como gafanhotos, mas que não agem como gafanhotos comuns: não comem plantas. Elas atormentam, durante cinco meses, as pessoas que não têm o selo de Deus, sem poder matá-las (Apocalipse 9:1-11). A descrição dessas criaturas é incomum e contém muitas comparações. Por isso, não é seguro afirmar que João esteja falando de um tipo específico de animal, de uma arma moderna ou de algum exército que possamos identificar hoje. O que a visão deixa claro é o sofrimento intenso e o limite imposto a ele.
Na sexta, quatro anjos presos junto ao rio Eufrates são soltos. A visão apresenta então uma imensa força de cavalaria, e um terço da humanidade morre (Apocalipse 9:13-19). O texto não resolve todos os detalhes sobre a identidade desses anjos e cavaleiros. Mas destaca algo que pode surpreender: mesmo depois de tanta destruição, os sobreviventes não abandonam a idolatria nem se arrependem de seus crimes e de outras práticas que Deus condena (Apocalipse 9:20-21).
Antes da última trombeta, João recebe outras visões, entre elas a das duas testemunhas (Apocalipse 10:1–11:14). Quando soa a sétima trombeta, o anúncio principal vem do céu: o reino do mundo pertence ao Senhor e ao seu Cristo. Também se fala do juízo de Deus, da recompensa dos seus servos e da destruição dos que destroem a terra (Apocalipse 11:15-19). Essa trombeta não descreve uma nova calamidade da mesma maneira que as anteriores. Ela anuncia o resultado para o qual o livro aponta: Deus fará justiça, e o reinado de Cristo permanecerá.
Cristãos que levam a Bíblia a sério entendem de maneiras diferentes quando e como essas visões se cumprem. Alguns esperam que as trombetas ocorram como acontecimentos futuros, num período de grande tribulação. Outros entendem que João usa imagens para retratar juízos de Deus ao longo da história e a vitória final de Cristo. Também há diferenças sobre quanto das descrições deve ser entendido literalmente. O próprio Apocalipse usa imagens marcantes, então é importante não transformar detalhes incertos em afirmações seguras.
O ponto central, porém, é claro. As trombetas mostram que o mal não continuará sem resposta. Os juízos são graves, mas as primeiras visões repetem a expressão “um terço”, indicando danos terríveis que ainda não são a destruição total. Ao mesmo tempo, a reação dos sobreviventes na sexta trombeta mostra que passar por uma calamidade, por si só, não leva alguém ao arrependimento. No fim da série, a sétima trombeta lembra quem tem a palavra final: Deus e seu Cristo.