Ser servo de Cristo significa reconhecer Jesus como Senhor e viver pra fazer a vontade dele. Não é só ter admiração por seus ensinamentos ou chamá-lo de Senhor. É confiar nele, aprender o que ele ensina e procurar obedecer, mesmo quando isso exige deixar de lado uma vontade nossa. Jesus chamou a atenção pra essa diferença em Lucas 6:46: não faz sentido chamá-lo de Senhor e ignorar o que ele diz.
Quando Paulo se apresenta como servo de Cristo (Romanos 1:1; Filipenses 1:1), ele usa uma palavra grega que também pode ser traduzida por “escravo”. A palavra destaca que Paulo pertencia a Jesus e estava a serviço dele. Mas essa comparação tem um limite importante: Jesus não explora quem é seu. Ele deu a própria vida por nós. Por isso Paulo diz que os cristãos foram comprados por um preço (1 Coríntios 6:20). Servimos a Cristo em resposta ao que ele fez por nós, não pra tentar comprar o amor dele.
Isso muda a maneira de viver. Um servo de Cristo procura conhecer a vontade de Jesus nas Escrituras e colocá-la em prática. Ele luta contra o pecado, aprende a amar as pessoas e busca honrar a Deus nas escolhas de cada dia (Romanos 6:11-13; 1 João 3:16-18; 1 Coríntios 10:31). Não quer dizer que nunca falhe. Quer dizer que, quando falha, não trata a desobediência como algo sem importância: volta-se pra Cristo e continua aprendendo a segui-lo.
Também não significa que todos os cristãos tenham de fazer o mesmo trabalho. Alguns ensinam, outros cuidam, ajudam ou servem de maneiras menos visíveis. O que todos têm em comum é a disposição de servir com humildade, em vez de buscar reconhecimento. O próprio Jesus mostrou esse caminho ao servir seus discípulos (João 13:12-15).
E há algo que torna essa relação ainda mais bonita: Jesus chama seus seguidores de amigos porque lhes deu a conhecer o que recebeu do Pai (João 15:15). Ser servo dele, portanto, não é viver longe, com medo de um senhor cruel. É pertencer àquele que nos amou primeiro e aprender, dia após dia, a confiar nele e a obedecer-lhe.