Sim. A Bíblia apresenta Deus como alguém que nunca age com maldade, não favorece pessoas por interesse e não condena ninguém injustamente (Deuteronômio 32:4; Romanos 2:11). Mas a pergunta é compreensível. Quando vemos pessoas boas sofrerem, pessoas cruéis prosperarem ou pensamos no julgamento de Deus, nem sempre é fácil perceber essa justiça.
Uma parte da dificuldade está na maneira como usamos a palavra *justo*. Às vezes queremos dizer que todos devem receber exatamente a mesma coisa. Outras vezes, que cada um deve receber o que merece. A Bíblia mostra que Deus leva o mal a sério, mas também mostra que ele oferece misericórdia. Essas duas coisas não se contradizem.
Se Deus tratasse o pecado como algo sem importância, não seria justo com quem foi ferido por ele. Ao mesmo tempo, se só recebêssemos o que merecemos, ninguém poderia exigir a salvação como um direito. Todos pecamos (Romanos 3:23). É por isso que a mensagem sobre Jesus é tão importante: Deus não simplesmente ignorou o pecado. Cristo morreu e ressuscitou pra que pecadores pudessem ser perdoados e reconciliados com ele (Romanos 3:23-26; 1 Coríntios 15:3-4). O perdão é um presente, não uma declaração de que o mal não importa.
Isso também ajuda a entender por que Deus não é injusto ao salvar alguém pela graça. Ninguém conquista a salvação por ser melhor que os outros. A Bíblia chama as pessoas a se arrependerem e a crerem em Jesus, e promete vida eterna a quem crê nele (João 3:16-18). Cristãos têm entendimentos diferentes sobre como a escolha de Deus e a resposta humana se relacionam. Mas essa diferença não muda dois pontos centrais: a salvação depende da graça de Deus, e ele não comete injustiça ao julgar.
Ainda resta a pergunta mais dolorosa: se Deus é justo, por que tanta injustiça acontece agora? A Bíblia não diz que todo sofrimento é um castigo por algum pecado específico. Jesus rejeitou essa ideia ao falar de certas tragédias e ao encontrar um homem cego de nascença (Lucas 13:1-5; João 9:1-3). Também não promete que entenderemos, nesta vida, o motivo de cada sofrimento. O que ela promete é que Deus não ficará indiferente ao mal: ele julgará com justiça e, no fim, acabará com a morte, o sofrimento e a dor (Atos 17:31; Apocalipse 21:3-4).
Portanto, dizer que Deus é justo não significa fingir que tudo o que acontece hoje parece justo. Significa confiar no caráter daquele que vê o que nós não vemos, oferece perdão sem chamar o mal de bem e promete que a injustiça não terá a última palavra.