Depende do que você quer dizer com “ser gay”. Se você está falando de sentir atração por pessoas do mesmo sexo, não é correto dizer que essa atração, por si só, seja uma decisão de pecar. Se está falando de ter relações sexuais com alguém do mesmo sexo, a interpretação cristã tradicional entende que isso contraria o ensino bíblico sobre a sexualidade. Essa diferença importa, porque sentir uma atração e escolher o que fazer com ela não são a mesma coisa.
A Bíblia não usa a palavra “gay” no sentido em que usamos hoje. Por isso, ela não responde diretamente a perguntas sobre orientação sexual ou sobre como uma pessoa deve se identificar. Ela fala, porém, sobre desejos, tentações e práticas sexuais.
Uma pessoa pode sentir uma atração que não escolheu sentir. Isso não significa que ela esteja cometendo um pecado a cada vez que o sentimento aparece. Jesus foi tentado e não pecou (Hebreus 4:15). Ao mesmo tempo, a Bíblia nos chama a cuidar do que fazemos com nossos desejos. Há diferença entre perceber uma atração, alimentar deliberadamente uma fantasia sexual e agir com base nela. Esse cuidado vale pra todas as pessoas, não só pra quem sente atração pelo mesmo sexo (Mateus 5:27-28).
Quanto às relações sexuais, a leitura cristã tradicional entende que Deus as reservou pro casamento entre homem e mulher. Ela se apoia no relato da criação, retomado por Jesus ao falar do casamento (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6), e em passagens como Romanos 1:26-27 e 1 Coríntios 6:9-11. Seguindo essa leitura, um cristão não deve ter relações sexuais fora desse casamento, seja qual for sua orientação.
Há cristãos que interpretam essas passagens de outra maneira. Eles entendem que os textos condenam certas práticas conhecidas naquele tempo, mas não tratam de uma união fiel entre duas pessoas do mesmo sexo. A divergência é real. A leitura tradicional, porém, considera que os textos bíblicos sobre o casamento e sobre relações entre pessoas do mesmo sexo apontam, em conjunto, pra uma conclusão mais ampla do que a condenação de abusos.
Nada disso autoriza tratar uma pessoa gay com desprezo, zombaria ou violência. Também não permite afirmar que ela escolheu sentir essa atração, nem prometer que, se tiver fé suficiente, passará a sentir atração pelo sexo oposto. A Bíblia não faz essas promessas. E ninguém deve ser tratado como se sua sexualidade fosse tudo o que o define.
A mensagem cristã não coloca um grupo de pessoas de um lado e todos os demais do outro. Todos precisamos da graça de Deus (Romanos 3:23). Em 1 Coríntios 6:9-11, Paulo menciona vários pecados e depois lembra aos cristãos de Corinto que Deus os havia acolhido e transformado por meio de Jesus Cristo. O ponto não é que algumas pessoas precisem de Jesus mais do que outras. É que nele há perdão e uma nova vida pra todos.
Portanto, sentir atração pelo mesmo sexo não deve ser confundido com praticar um ato sexual. Na interpretação cristã tradicional, ter relações sexuais com alguém do mesmo sexo é pecado; sentir a atração, sem escolhê-la nem agir com base nela, não deve ser tratado como se fosse a mesma coisa. Seja qual for a situação de quem faz essa pergunta, ela merece uma resposta honesta, respeito e a certeza de que pode se aproximar de Jesus.