A Septuaginta é uma antiga tradução para o grego dos livros que conhecemos como Antigo Testamento. Ela surgiu porque muitos judeus viviam fora de Israel e falavam grego no dia a dia. Ter as Escrituras nessa língua permitia que eles as lessem e entendessem.
A tradução não foi feita de uma vez. Os cinco primeiros livros da Bíblia, de Gênesis a Deuteronômio, provavelmente foram traduzidos em Alexandria, no Egito, durante o século III antes de Cristo. Outros livros foram traduzidos depois, por pessoas diferentes. Por isso, quando falamos da Septuaginta, estamos falando de um conjunto de traduções antigas, não do trabalho de um único tradutor.
O nome significa “setenta” em latim, e a abreviação LXX representa esse número em algarismos romanos. Ele vem de uma tradição antiga segundo a qual cerca de setenta, ou setenta e dois, estudiosos judeus participaram da tradução. Essa tradição ajuda a explicar o nome, mas não devemos tomar todos os seus detalhes como fatos históricos comprovados.
Por que ela é importante pra quem lê a Bíblia hoje? Porque o Novo Testamento foi escrito em grego, e seus autores às vezes citam o Antigo Testamento com palavras que correspondem à tradução grega. Isso mostra que a Septuaginta era conhecida e usada pelos primeiros cristãos. Não quer dizer, porém, que toda citação do Antigo Testamento no Novo Testamento tenha sido tirada dela: algumas seguem mais de perto o texto hebraico, e outras apresentam uma forma própria.
Também é bom lembrar que a Septuaginta é uma *tradução*. Em certas passagens, sua redação é diferente da encontrada nos textos hebraicos que servem de base pra muitas Bíblias atuais. Isso não significa, por si só, que uma das versões esteja errada. As diferenças podem envolver escolhas dos tradutores ou diferenças entre os antigos manuscritos usados por eles. Comparar esses textos ajuda a entender melhor como as Escrituras chegaram até nós.
Há ainda uma distinção importante: a Septuaginta não é, por si só, uma lista definitiva dos livros que todas as igrejas devem considerar parte da Bíblia. Manuscritos gregos antigos incluem livros sobre os quais católicos, ortodoxos e protestantes têm entendimentos diferentes.
Em resumo, a Septuaginta foi a Bíblia em grego usada por muitos judeus e conhecida pelos primeiros cristãos. Ela nos ajuda a entender o mundo em que o Novo Testamento foi escrito e a maneira como seus autores liam e citavam as Escrituras.