Paulo faz essa pergunta em Romanos 8:35 porque conhece uma dúvida que pode surgir quando a vida fica difícil: “Se Cristo me ama, por que estou sofrendo? Será que ele me abandonou?” A resposta dele é clara: nenhuma dificuldade tem poder pra afastar de Cristo aqueles que pertencem a ele.
Paulo não diz que os cristãos deixarão de passar por aflições. Ele menciona sofrimento, perseguição, fome, perigo e até a morte (Romanos 8:35-36). São situações reais e dolorosas. Mas nenhuma delas prova que Cristo deixou de amar alguém. O sofrimento pode mudar muita coisa na nossa vida; não pode mudar o que Cristo fez por nós nem impedir que ele cuide dos seus.
Pra entender essa segurança, vale olhar o que Paulo acabou de dizer. Deus entregou seu próprio Filho por nós. Cristo morreu, ressuscitou e intercede pelos que são seus (Romanos 8:31-34). Então a confiança do cristão não depende de nunca sentir medo ou de conseguir ser forte o tempo todo. Ela se apoia no que Deus fez por meio de Jesus.
Isso também ajuda quando a dúvida vem dos nossos próprios pecados. Paulo não está dizendo que o pecado não importa. Em Romanos 6, ele ensina que quem recebeu uma nova vida em Cristo não deve continuar vivendo sob o domínio do pecado. Ao mesmo tempo, ele sabe que a luta contra o pecado é real. Por isso, a segurança apresentada em Romanos 8 não é “eu nunca falho”, mas “Cristo morreu e ressuscitou por mim, e o Espírito de Deus está agindo em minha vida” (Romanos 8:9-16).
No fim do capítulo, Paulo amplia a resposta: nem a morte, nem a vida, nem qualquer outra coisa criada pode separar os que estão em Cristo Jesus do amor de Deus (Romanos 8:38-39). É uma maneira forte de dizer que não existe força no mundo capaz de derrotar o amor com que Deus sustenta os seus.
Isso não resolve, por si só, toda discussão sobre a possibilidade de uma pessoa abandonar a fé de forma definitiva. Cristãos que levam a Bíblia a sério entendem essa questão de maneiras diferentes. Mas o ponto de Paulo aqui não deve se perder nessa discussão: quem está em Cristo não precisa interpretar a dor, o perigo ou as próprias fraquezas como sinal de que foi abandonado por ele. O amor de Cristo permanece firme mesmo nas situações em que mais precisamos dessa certeza.