Um cristão pode ver a separação entre Igreja e Estado como uma proteção importante. O governo não deve mandar no que a igreja ensina, nem a igreja deve usar o poder do governo pra obrigar as pessoas a seguir a fé cristã. Isso não significa, porém, que o cristão precise deixar sua fé de lado quando participa da vida pública.
A Bíblia mostra que governo e igreja têm responsabilidades diferentes. O governo deve cuidar da ordem e da justiça na sociedade (Romanos 13:1-4). A igreja recebeu de Jesus a tarefa de anunciar o evangelho e ensinar as pessoas a segui-lo (Mateus 28:18-20). Uma lei pode proibir um crime, mas não pode fazer alguém amar a Deus ou crer em Cristo. A fé não nasce da imposição.
Jesus deixou clara essa diferença quando disse que seu reino não era deste mundo (João 18:36). Ele não estava dizendo que sua mensagem não importa pra vida em sociedade. Estava explicando que seu reino não depende dos meios pelos quais os governos humanos conquistam e mantêm poder. Por isso, a missão da igreja não avança por meio de uma religião obrigatória.
Ao mesmo tempo, o cristão continua sendo cidadão. Ele pode votar, ocupar cargos públicos, defender leis justas e falar sobre questões que afetam outras pessoas. Não precisa fingir que suas convicções bíblicas desapareceram quando entra numa discussão pública. Mas deve agir com respeito por quem discorda dele, sem confundir defender uma proposta política com anunciar o evangelho.
Também é importante lembrar que respeitar o governo não é obedecer a ele sem limites. A Bíblia orienta os cristãos a se sujeitarem às autoridades e a orarem por elas (Romanos 13:1; 1 Timóteo 2:1-2). Mas, quando uma autoridade exige desobediência a Deus, os apóstolos mostram que a obediência a Deus vem primeiro (Atos 5:29).
Em resumo, separar Igreja e Estado não é expulsar os cristãos da vida pública. É reconhecer que o governo não deve controlar a igreja nem impor uma religião, e que a igreja não deve depender do poder político pra cumprir a missão que recebeu de Jesus.